Em Foz do Iguaçu, 6,5% dos moradores são estrangeiros
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sábado, 17 de outubro de 1998
Valmir Denardin 
Localizada na fronteira do Brasil com o Paraguai e a Argentina, Foz do Iguaçu é a mais cosmopolita das cidades paranaenses. Oficialmente, pelo menos 8.500 (3,7%) de seus 230 mil moradores são estrangeiros. Mas as estimativas não oficiais apontam para uma participação ainda maior dos estrangeiros na formação populacional do município - que poderia chegar a 15 mil pessoas (6,5% do total).
Segundo estimativa da Associação Beneficente Árabe-Brasileira, pelo menos 10 mil árabes e descendentes vivem em Foz do Iguaçu e formam a maior comunidade étnica da região. Um levantamento da delegacia da Polícia Federal deste ano aponta que cerca de 1.700 árabes vivem legalmente na cidade. Basta andar pelas ruas para sentir que a cidade tem representantes de mais de uma dezena de países. Em apenas um quarteirão é possível cruzar com grupos de mulheres com vestidos cobrindo os pés - apesar do calor que, no verão, costuma superar os 40 graus centígrados - e xador (o tradicional lenço árabe) sobre a cabeça. No mesmo quarteirão, o visitante verá letreiros de lojas e produtos em árabe, chinês e espanhol. Verá também uma quantidade impressionante de carros com placas paraguaias e argentinas - quase tão comuns quanto os com placas brasileiras.
O mais belo templo religioso de Foz não é católico, mas sim uma grandiosa mesquita, localizada na região leste, uma das áreas mais valorizadas. Pelo menos 50% dos árabes - dos quais cerca de 90% são libaneses - moram, fazem compras, se divertem e rezam em Foz do Iguaçu, mas tem negócios em Ciudad del Este, cidade paraguaia do outro lado da Ponte da Amizade. De tradição comercial, a partir da década de 50 os libaneses viram em Ciudad del Este o eldorado para montar negócios e fugir das constantes guerras em que o país se envolvia. Muitos árabes vieram para cá solteiros e se casaram com brasileiras, paraguaias e argentinas, afirma Mohamed Ismail, presidente da Associação Beneficente Árabe-Brasileira. Além de sua importância no comércio da fronteira, os árabes conquistaram expressão política - em partidos tão antagônicos como o PT e o PPB.
Depois dos árabes, os orientais (chineses e coreanos) foram a maior comunidade étnica de Foz do Iguaçu, com 1.500 integrantes legalmente registrados na PF. Os paraguaios vêm em terceiro lugar, de acordo com o levantamento, com 1.459 pessoas. Também há contingentes expressivos de portugueses, norte-americanos e chilenos. Em Foz, há até a Vila Paraguaia, formada por oito quarteirões, na região norte da cidade. A maior corrente migratória de paraguaios ocorreu durante a ditadura do general Alfredo Stroessner (1954-1989) e era formada principalmente por opositores perseguidos pelo regime, em busca de asilo político. A decisão do governo brasileiro de conceder anistia aos estrangeiros em situação ilegal no País, em 8 de setembro, provocou filas na porta da Delegacia da Polícia Federal. Cerca de 1.700 pessoas já procuraram o órgão.


