Superlotado, o setor de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Universitário (HU) não tinha leitos ontem para abrigar sete pacientes em estado grave, incluindo uma criança de apenas quatro anos. O hospital não recusou atendimento mas os doentes foram colocados em leitos improvisados de cuidados intensivos montados no pronto-socorro, enquanto se buscavam vagas em outras instituições de saúde no Estado via Central de Leitos. Até a noite, apenas um tinha conseguido ser transferido.
Os pacientes, em sua maioria, são de idade avançada e deram entrada pela manhã. Os diagnósticos variam entre acidente vascular cerebral (AVC) e encefálico (AVE), problemas cardíacos e choque anafilático. A criança apresenta um quadro de insuficiência respiratória e deu entrada no HU no início da tarde. Todos foram incluidos na Central de Regulação de Leitos do Estado mas até o final do dia permaneciam no pronto-socorro à espera de vagas.
De acordo com a diretora da 17 Regional de Saúde, Vânia Gutierrez, alguns pacientes deveriam ser transferidos para leitos pagos pelo Estado em Cianorte e Campo Mourão, porque os hospitais particulares de Londrina e cidades próximas não disponibilizaram nenhuma vaga. ''A questão deles disponibilizarem parte do interesse de cada instituição e os leitos de UTI estão com capacidade esgotada. Em Londrina, ninguem aceitou'', apontou Vânia. Segundo ela, até o início da noite, apenas um paciente tinha conseguido a transferência do HU.
No mês passado, o município passou por mais uma crise originária pela falta de vagas de UTI, quando a médica-chefe da UTI Adulto, Lucienne Queiroz Cardoso, relatou à diretoria clínica que ''25 pacientes potencialmente recuperáveis morreram nas enfermarias e PS por falta de um leito de cuidados intensivos''. Segundo a médica, desde o início do ano até o início de junho, 327 pacientes com indicação de UTI tiveram que esperar por até quatro dias para conseguir uma vaga.
Uma sindicância interna foi instaurada no HU para investigar se as mortes tiveram relação efetiva com a superlotação do setor. O prazo de conclusão terminou ontem mas a assessoria do superintendente do hospital, Francisco Eugênio, informou que ele só deve divulgar os resultados do trabalho amanhã.
A Secretaria Estadual de Saúde, através da 17 Regional de Saúde, também formou uma comissão de auditores para investigar a situação, pois sustenta que não há falta de leitos de UTI em Londrina. A diretora-regional, Vânia Gutierrez, precisou que a auditoria ainda não foi concluída porque o HU ainda não liberou os prontuários para análise.

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