Desde a implantação da primeira base descentralizada do Grupamento Aeropolicial-Resgate Aéreo (Graer) em Londrina, em setembro do ano passado, a atuação dessa modalidade de policiamento tem demonstrado resultados positivos para a região, principalmente no que se refere às operações aeromédicas.

Para conhecer um pouco da logística desse trabalho, a FOLHA acompanhou um turno de trabalho da equipe. Ao chegar pela manhã em um dos hangares do Aeroporto de Londrina, a equipe já está a postos para atender chamados de emergência. O estado de alerta, aliás, é rotina para o Grupamento desde o nascer até o pôr do sol.

Parte essencial do trabalho, a aeronave também fica o tempo todo de prontidão no pátio do hangar, pois diante de uma emergência, a equipe deverá iniciar a decolagem em até três minutos, já que a agilidade do serviço é o grande diferencial do Graer.

Para esse preparo, todos os dias, às 7 horas a equipe chega e dá início a uma inspeção inicial, com a checagem de todos os itens da aeronave, inclusive o combustível. Ninguém pode mexer ou sequer tocar na aeronave, exceto a equipe, após essa inspeção. Todo o trabalho do Graer é baseado em protocolos e muita segurança.

Em seguida, o grupo faz um briefing das operações realizadas e estuda o cronograma para as próximas. "A comunicação, assim como a técnica das atividades, devem ser padronizadas para garantir a máxima segurança dos tripulantes e das vítimas", ressalta capitão Andrey Müller, coordenador de voo.

A equipe faz um rodízio semanal entre as bases de Londrina e Curitiba. Ao todo, o Graer possui 10 tripulantes, 6 copilotos e 9 comandantes (pilotos). A área de abrangência da base em Londrina é de aproximadamente 100 km ao redor do município.

Autonomia
O Graer é acionado por um celular de plantão, porém, a equipe tem autonomia para iniciar uma operação, com base no acompanhamento pelo rádio da polícia. Em casos de remoção aeromédica, que tem sido a ocorrência mais frequente do grupamento, o acionamento é feito pelo Samu. Os principais atendimentos são a bebês recém-nascidos.

Com experiência de mais de 1,2 mil horas de voo, o piloto capitão Sérgio Plácido comenta que o transporte de bebês demanda, além de boa técnica, um controle emocional. "A quantidade de equipamentos médicos acarreta um peso extra na aeronave. Já a questão emocional é porque uma ocorrência dessa é sempre delicada", justifica o piloto, que aponta outras dificuldades do serviço, como o pouso em locais restritos. "Tem muitos hospitais sem heliporto. Em Londrina mesmo, só conseguimos pousar no canteiro central do Hospital Universitário (HU). O encaminhamento para outras instituições deve ser feito pelo Samu, que recebe a vítima aqui no hangar", diz.

Em casos de remoção ou resgate aeromédico, a equipe decola geralmente com um piloto e um tripulante em virtude da limitação da aeronave. Outro diferencial das operações do Graer é a permissão que a equipe tem para voar abaixo de 600 pés, desde que esteja em sincronia com a torre e as condições climáticas sejam favoráveis. O grupo já chegou a voar apenas a três metros do solo.

"O aeromédico com remoção da vítima até o hospital é um trabalho muito gratificante, principalmente quando é uma ocorrência de neonatal, que demanda muitas horas e muito cuidado", salienta o sargento Geovani Cupka, que durante 23 anos se dedicou à função de bombeiro em Curitiba e atualmente ocupa a função de tripulante.

Condicionamento
Como a resistência física é fator determinante para o trabalho do Graer, nos momentos de folga a tripulação faz atividade física, inclusive em meio aquático. "Nós que trabalhamos com vidas em risco, temos que ser muito eficientes e o condicionamento é importantíssimo", ressalta o sargento Jeferson Panzarini, também tripulante, que atuou durante 10 anos na Rondas Ostensivas de Natureza Especial (Rone) de Curitiba. "Antes eu abordava uma média de 100 pessoas por turno e agora nossas operações são diferentes, pois são direcionadas e não se limitam somente ao policiamento", completa.

Nesta semana, a equipe do Graer fez a remoção de uma criança recém-nascida com problemas de insuficiência respiratória, de Carlópolis (Norte Pioneiro) para a UTI Neonatal de Ivaiporã. O trajeto, que via terrestre levaria em média, cinco horas de viagem, foi realizada com sucesso em 50 minutos. "É um trabalho relevante nas mais diversas situações e acredito que a população, vendo e ouvindo o helicóptero do Graer em operação, já sente uma certa segurança, conforto", conclui capitão Müller.

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