Em duas horas, dois seqüestros-relâmpago
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 04 de janeiro de 2006
Vanessa Navarro<br>Reportagem Local 
Dois sequestros-relâmpago - modalidade criminosa que se consolidou em Londrina em 2005 - foram executados por uma mesma quadrilha entre às 22 horas de segunda-feira e a madrugada de ontem na cidade. Uma das vítimas era policial militar.
O sargento do 5º Batalhão de Polícia Militar (BPM) Carlos Israel de Paiva atendeu o chamado do colega por volta da meia-noite: o PM Maurício Gomes, 35 anos, havia sido abandonado em um posto de combustíveis de Cambé (13 km a oeste de Londrina), após rodar por três horas dentro do porta-malas do próprio veículo, um Golf prata. De acordo com Paiva, Gomes contou que foi abordado dentro do carro, em frente ao Banco do Brasil da Avenida Tiradentes (Zona Oeste), e obrigado a acompanhar quatro assaltantes durante uma peregrinação por agências bancárias.
A quadrilha levou documentos, talão de cheques, R$ 800 em dinheiro, um revólver e um telefone celular do policial, mas deixou o carro. Paiva contou que, quando levava o colega de volta a Londrina, avistou dois homens suspeitos dentro de um táxi. Ao parar o veículo para averiguação, a vítima reconheceu os assaltantes. ''Eles tentaram negar, mas o celular do PM estava no bolso de um deles. O suspeito declarou que tinha acabado de comprá-lo na rua'', detalhou o sargento. Além do aparelho, Laércio Lúcio Cerqueira, 24, e José Raimundo Rocha, 33, foram detidos com R$ 220. O restante do dinheiro e a arma, acredita a polícia, ficaram com os outros dois assaltantes, que fugiram.
Na delegacia, um casal que sofreu sequestro-relâmpago na mesma noite reconheceu a dupla. O rapaz (que não se identificou) contou que estava com a namorada em frente à casa dela, na Zona Sul, quando recebeu voz de assalto na janela do carro. ''Ficamos 40 minutos em poder dos criminosos, até sermos deixados em frente à Friends (Avenida Brasília, Zona Norte de Londrina)'', contou.
Aparelho de som automotivo, documentos e um par de tênis foram roubados - este último foi recuperado. Os dois detidos foram enquadrados no artigo 157 (roubo à mão armada). Com o agravante de terem submetido as vítimas a cárcere privado, eles podem ter a pena de 4 a 10 anos de prisão aumentada em um terço.


