A CVMR recebe três tipos de material: as garrafas PET são transformadas em flocos e o papel e o papelão são prensados em fardos
A CVMR recebe três tipos de material: as garrafas PET são transformadas em flocos e o papel e o papelão são prensados em fardos | Foto: Fotos: Anderson Coelho



O início do funcionamento da CVMR (Central de Valorização de Materiais Recicláveis) marca uma nova etapa na coleta de lixo reciclável em Londrina. A central entrou em atividade há pouco mais de 60 dias e com o beneficiamento do material, as cooperativas conseguem agregar valor ao produto, aumentando a sua qualidade e, consequentemente, o preço de venda e a renda dos trabalhadores. Atualmente, a unidade beneficia 400 quilos de material por hora, mas em breve deve atingir a capacidade máxima, de 600 quilos a cada hora trabalhada, totalizando 96 toneladas mensais.

A CVMR recebe três tipos de materiais, enviados pelas cooperativas de recicladores. As garrafas PET são transformadas em flocos e o papel e o papelão são prensados em fardos. Após o beneficiamento, o que era lixo está pronto para ser vendido a empresas que utilizam esses produtos como matéria-prima. Em dois meses de funcionamento, a central movimentou 216 toneladas. Desse total, 86 toneladas foram comercializadas e as outras 130 estão em estoque esperando pelo melhor preço. Essa movimentação gerou para as cooperativas R$ 120 mil.

Das sete cooperativas em atividade em Londrina, quatro enviam o material à central, mas a expectativa é que em pouco tempo as outras três unidades consigam se organizar para que também possam ingressar no sistema de beneficiamento. Futuramente a unidade deverá receber ainda a produção de cooperativas e associações de recicladores de municípios localizados em um raio de 100 quilômetros de distância de Londrina.

O transporte entre os barracões de reciclagem e a CVMR é feito por um caminhão da central, que após a coleta tem um prazo de cinco dias úteis para fazer o pagamento à cooperativa. Após a venda do produto, 10% ficam com a CVMR e o restante volta aos cooperados.

"Com preço mais baixo, o comprador não exigia tanto a qualidade do produto. Com a central, temos que agregar valor. Temos um padrão de qualidade a seguir e temos uma logística", destaca o supervisor administrativo da CVMR, Vinícius Marques Campos. "A estratégia de agregar valor é exatamente você ter uma quantidade para conseguir comercializar buscando os compradores que melhor pagam. Tendo maior volume, consegue melhores compradores", acrescenta a analista ambiental da CMTU (Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização), Eliene Moraes.

QUALIDADE DE CIDADÃ
A presidente da Coocepeve, Sandra Araújo Barroso Silva, comemora a evolução do sistema de coleta seletiva em Londrina. Ela começou esse trabalho como catadora no lixão, passou pela Fazenda Refúgio, formou uma ONG de reciclagem e agora está à frente da cooperativa. Em cada etapa do processo, sempre brigou e discutiu muito com o poder público na tentativa de garantir boas condições de trabalho para os recicladores. "Hoje, tenho qualidade de cidadã, tenho o direito de opinar. Estamos com uma baita estrutura, mas de nada adiantaria tudo isso sem a união dos recicladores", ressalta. "Hoje eu vejo que valeu a pena todas as nossas lutas, temos o processo de uma grande empresa, mas o maior ganho que tivemos foi a elevação da nossa autoestima."

Para a presidente da Cooper Refum, Selma Maria Assis, o que falta às cooperativas é um apoio maior do poder público, que segundo ela deveria adotar um maior rigor na fiscalização de pessoas que atuam na reciclagem de forma irregular e na divulgação do trabalho para aumentar a adesão da população ao sistema de coleta seletiva. "Quando se tem investimento, as coisas vão para a frente. Hoje, o município deixou de investir na reciclagem e temos uma defasagem na coleta", afirma. "A população precisa confiar na gente. Precisa confiar que o nosso trabalho será feito", salienta.

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