Em dias de chuva, trabalhador é descontado por falta de produção
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sábado, 17 de maio de 1997
Da Sucursal 
Albari RosaFalta de proteçãoO operador de motoserra Luiz Carlos dos Santos, que cortou dois dedos da mão direita ao ligar a motoserra: ele estava sem luvas, lavou as mãos e teve de retornar ao trabalhoOs lenhadores precisam torcer para que não chova na área de reflorestamento e jamais devem se ferir. Afinal, o dia sem trabalho é descontado do salário. No primeiro caso, a estiagem tem colaborado. Porém, sem proteção, fica difícil evitar acidentes. Foi o que aconteceu com o operador de motoserra Luiz Carlos dos Santos, 20 anos, contratado pela empreiteira Meira, de Ponte Serrada, Oeste de Santa Catarina. Sem luvas, ele cortou dois dedos da mão direita ao ligar o aparelho.
Como também não há assistência médica, Santos apenas lavou as mãos para retornar ao trabalho. Detalhe: a água da região não é tratada, vem pelas ponteiras de poços artesianos. A gente usa essa água para cozinhar e tomar banho com bacia, revela Tereza Mortari, 38 anos, enquanto puxa o líquido sob a terra com uma bomba rudimentar. E o banheiro? Aqui o povo usa o mato para fazer as necessidades, responde a mulher, sem esconder os dentes em petição de miséria.
Aqui no ar-condicionado não tem lugar para todo mundo, desdenha o presidente da Comfloresta, Antônio Fernandez. De acordo com ele, as pessoas devem entender que a atividade rural apresenta muitas diferenças em relação à urbana, principalmente nas condições de trabalho. Mesmo assim, nós afastamos os empreiteiros que tratam mal seus empregados, ressalva o dono da madeireira que destina 95% de sua produção (82 mil metros cúbicos por ano) para o exterior.
A vida das mulheres da região também está longe de ser fácil. Umas cuidam dos casebres e cozinham (o cardápio geralmente se divide entre arroz, feijão, macarrão, e, raramente, carne), outras ajudam maridos e pais no corte de pinus. É o caso das irmãs Elisângela, 16 anos, e Franciele Lima, de 15, hábeis com facão e machado. Nós tiramos os galhos das toras, avisa Elisângela. Ambas nada recebem pelo serviço, embora auxiliem no aumento da renda do pai.
As irmãs Lima não estudam, pararam na 2ª série primária - boa parte dos trabalhadores da região é semi-analfabeta. Diferente dos homens, que preferem cachaça e futebol, a diversão dessas adolescentes é ouvir o radinho de pilha e assistir à tevê ligada na bateria por falta de energia elétrica. A novela das seis já virou um paraíso lúdico. Sonhamos com o Rodrigo Santoro, confidencia Franciele, apaixonada pelo neogalã da Rede Globo.


