O Comando de Policiamento do Interior espera concluir em dez dias o processo disciplinar que investiga a prisão e suposta tortura de quatro policiais militares de Maringá. A tortura teria sido feita pelo grupo Águia, em março deste ano, em Curitiba. Eles são acusados de roubo e receptação de automóveis. Ontem o sargento Paulo Lucas de Lima, que deveria depor à Comissão de Direitos Humanos da Assembléia Legislativa, reafirmou as denúncias contra a PM, dizendo que foi torturado nas dependências do CPI. O depoimento oficial, no entanto, não ocorreu, em função do atraso do advogado e ficou marcado para quarta-feira.
Além do sargento, compareceram os policiais Adelino Gomes de Moraes, Carlos Osmar Alves e José Berto da Silva Filho. Eles afirmam ter sido trazidos à força, algemados, para Curitiba, onde teriam sofrido tortura física e psicológica. Eles estão afastados do trabalho enquanto o processo é concluído, mas pelo menos o sargento não demonstra interesse em permanecer na corporação.
‘‘Como é que vou vestir a minha farda e conviver com essa gente que tortura pessoas?’’, disse Paulo Lucas de Lima, que diz estar pensando em deixar a Polícia Militar. ‘‘Acho que depois de 15 anos na PM minha carreira acabou, porque continuo sendo perseguido e não há ambiente para continuar’’, afirmou.
Paulo Lima conta que, em função da suposta tortura, sofreu fratura no osso esterno, mas essa versão é contestada pelo CPI. O tenente-coronel Francisco Arantes, chefe do Estado-Maior do Policiamento do Interior, afirma que, na verdade, Lima teria sofrido um acidente de automóvel e, aproveitado as escoriações para simular a tortura. ‘‘Temos provas de que eles não foram torturados’’, disse o oficial, que corrobora as declarações feitas numa emissora de rádio pelo comandante-geral da PM, coronel Luiz Fernando Lara, que qualifica os policiais como ‘‘bandidos’’.

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