Em defesa do bar
Maurício Della Barba
Lá vai ele. Sai dali direto para o bar. É o costume. Ele bem que não queria ir para lá, mas é uma força além dele. Preferiria ser como todos. Ler um livro, praticar um esporte, estudar inglês ou até mesmo assitir o jornal ou a novela de todos os dias.
Mas não. Ele vai para o bar. É lá que se sente bem. Chega cumprimentando todos. Figura carimbada igual a todos por ali. Se conhecem e tem o mesmo problema: o bar. Ilustre local onde se conversa de tudo, se bebe de tudo, se ri de tudo. E acreditem, no bar também se chora.
Vai para o balcão. É o seu lugar preferido. Para alguns é cadeira cativa. Na mesa, raramente, só quando há muitos. O balcão é mais seguro. Pode-se ir embora quando o chato chegar. Pede-se mais facilmente a bebida e, principalmente, escora-se o braço. Não é a toa que o balcão é o lugar mais disputado.
Longas conversas, difíceis discussões. O assunto é amplo. Tem-se o mecânico que entende de pescaria, o bancário que manja de informática, o dono-daquela-firma que sabe das leis, o aposentado que sempre diz o que o fulano-que-me-disse, e também o dono do bar, que todos respeitam, pois além de ser o dono é quem controla severamente as contas.
Com todos estes e outros personagens, o bar se torna um espaço público. Sério às vezes, muito engraçado sempre. Discute-se o óbvio, explana-se o que já está explanado e discorda-se do que é certo. No final, nada serve mesmo.
Uma cerveja. Ou um wiskhy, ou vodca, stanhegger, rabo-de-galo. Até mesmo uma água. Não interessa. Diferente do que os outros pensam, a bebida não é o principal motivo do bar. É um acompanhamento. Assim como a torrada é para o carpaccio, como o vinho é para o queijo, ou a mulher é para o homem (machista não!).
Claro que o álcool ajuda a desinibir as pessoas. Mas e daí? O dia inteiro passamos mantendo as aparências, controlando as vontades, segurando palavras e censurando pensamentos. Porque não colocá-los para fora. E é no bar o lugar certo? Para alguns sim. É ali, cercado de pessoas que entendem de tudo que suas idéias vão ser expostas e discutidas. E lógico, entre um gole e outro. E como todos sabem, no final, nada vai servir mesmo.
Fora a terapia em conjunto, o bar é um lugar alegre. É dali que saem as melhores piadas, as fofocas mais arrepiantes, os boatos mais perigosos e os bêbados mais divertidos. Impossível passar em frente a um bar e não escutar uma boa gargalhada. É onde amigos tiram sarro de amigos (ou até de inimigos) e dramas particulares viram comédias populares. É sim, onde a vida fica mais divertida.
A ida ao bar tem outros motivos. E não são motivos tolos ou ingênuos. São as essências da vida de cada um que tornam o bar um local de passagem diária. Os que vivem reclamando da presença de maridos, filhos, irmãos e outros neste antro, deveriam perceber a importância do bar. Não se trata de um vício ou de uma fuga familiar. É um lugar cheio de vidas, de histórias, que satisfazem o tão duro lado emocional do homem. Se ainda não teve a oportunidade, vá a um bar e observe o quanto é interessante. Não precisa encher a cara. Basta fazer amizade com alguém, o que é muito fácil, que depois, garanto, será difícil não voltar.





