Em data santa, Expo atrai mais famílias
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 09 de abril de 2004
Lúcio Flávio Moura<br> Reportagem Local 
Ao invés da badalação, passeios bucólicos pela Fazendinha e pelas alamedas da minicidade em que se transforma o Parque Ney Braga a cada edição da Exposição Agropecuária e Industrial de Londrina. Na Sexta-feira Santa, data sagrada que celebra o sacrifício final de Jesus Cristo na Terra, o maior evento do ano não parou, mas funcionou em clima de ponto facultativo, sem música nos alto-falantes, sem a adrenalina dos brinquedos do parque de diversões e sem a empolgação do público no recinto de shows e rodeios.
Agroboys e agrogirls, arquétipos tradicionais dos frequentadores nos finais de semana, cederam espaço a pais, filhos e avós. Os animais expostos ganharam interesse extra do público leigo e, para maioria, justificou cada centavo dos R$ 5,00 deixados na bilheteria. O último dia com ingressos a preços promocionais também foi uma oportunidade de gastar menos para quem não valoriza o lado agitado do evento.
''A gente veio passear tranquilo, ver uns boizinhos com as crianças, aproveitar as vagas no estacionamento, o ingresso mais barato, o trânsito bom, evitar a multidão'', relacionou o professor Marcelo Carvalho, 28 anos, acompanhado da mulher, a ourives Estela Triunfo Carvalho, e os sobrinhos Vinicius, 14, e Larissa, 12.
A mãe estava trabalhando em um estande e o pai, Márcio Mondek, 32, operário de uma fábrica de doces, aproveitou a folga e fez a alegria de Lucas, 6 anos, que observava com atenção o desfile dos animais. ''Isto aqui já é uma diversão para a gente'', disse o pai, enquanto o filho agitava freneticamente um balão azul.
O casal formado pelo agricultor Ricardo Miike, 31 anos, e pela vendedora Andreia Caroline, também mencionou a tranquilidade e a falta de ''tumulto'' para justificar a presença no Ney Braga ontem. O filho Lucas não parecia nada entediado ao observar a beleza de cada raça, de cada exemplar.
Cláudio Knoor, 26, agricultor de Rolândia, apenas assistia o movimento sentado em um dos bancos da alameda principal. Ao seu lado, a mulher Geni, uma administradora de 30 anos, grávida de 9 meses, lembrou que não poderão voltar em outra oportunidade este ano. ''A criança pode nascer a qualquer momento. Tinha que vir em um dia em que não tivesse muito movimento'', explicou a gestante.
Os primeiros números oficiais sobre o público pagante na Expo 2004 devem ser divulgados hoje. Ontem, o ''olhômetro'' de quem está todo dia no parque registrou que houve o maior contingente desde a abertura.
Na gastronomia, o fato curioso foi a adaptação de algumas churrascarias à tradição católica de não comer carne vermelha. Em uma delas foi servido um buffet somente com peixe, embora houve quem pedisse o tradicional rodízio. Em outro ponto do parque, em um self-service, também foram oferecidas mais opções de peixe do que de carne bovina.
Houve, no entanto, quem não resistisse às tentações de um bom churrasco. Em uma mesa, um deles disse que era ''herege mesmo'' e abastecia o copo de cerveja sem pudor. O servidor público Rinaldo Cruz do Nascimento, 43 anos, preferiu o peixe e ''acha certo respeitar pelo menos um dia por ano''. Outro servidor público, Osvaldo Gaspar, 56 anos, se disse católico praticante mas também garfava a maminha sem peso na consciência. ''Hoje mudou tudo, inclusive esta tradição.''


