Em Curitiba, salários estão em dia e a situação ainda é estável
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 23 de fevereiro de 1999
Vivian de Albuquerque 
Com o salário dos funcionários e o pagamento dos prestadores de serviços em dia, a situação da Santa Casa de Curitiba ainda é estável apesar da crise que vem afetando o sistema de saúde. Enquanto a Santa Casa de Londrina fala em dificuldades, a instituição em Curitiba prefere apontar para uma situação positiva. Segundo o provedor Ary de Christan, o hospital sempre passou por dificuldades e o momento agora é ainda mais crítico com a desvalorização do Real, mas nada que não seja controlável.
É uma espécie de vantagem que temos, conta o provedor. Toda vez que enfrentamos um problema e apelamos para a comunidade, ela responde imediatamente. Alguns hospitais preferem colocar a culpa no SUS, mas nós aqui da Santa Casa podemos afirmar que se a situação é ruim com o sistema poderia ser muito pior sem ele, diz.
Por mês são atendidos, no hospital, cerca de 5 mil pacientes vindos não só de Curitiba e Região Metropolitana, mas também de todo o interior do Estado. Dos 246 leitos do Hospital de Caridade, 76% são destinados aos pacientes do SUS. Temos prefeituras do interior - e isso não é só no Paraná - que usam o dinheiro do sistema para comprar ambulâncias e trazer os pacientes para a capital. Aqui eles vêm, na maioria, para a Santa Casa.
O movimento se deve ao destaque do hospital na área dos atendimentos de cirurgias cardíacas. Considerada como uma espécie de referência, a Santa Casa também é uma das mais eficientes nos diagnósticos dos problemas cardíacos, transplantes renais e serviço de hemodiálise.
Quanto à possível venda do terreno da antiga Santa Casa para o Sonae, grupo português proprietário das redes Real, Mercadorama e Big, o provedor fala em bens inalienáveis. Segundo ele, a empresa procurou a entidade há cerca de três anos. A idéia era alugar o terreno por um prazo de 40 anos, mas a proposta foi recusada diante da impossibilidade de se negociar os bens da Santa Casa.


