Em Curitiba, rodízio eletrônico das funerárias é questionado
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quarta-feira, 30 de maio de 2001
Luciana Pombo De Curitiba 
O vereador Natálio Stica (PT) está questionando a legalidade do decreto municipal 696, que estabelece um novo sistema de rodízio das funerárias de Curitiba. Presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga denúncias de irregularidades no sistema funerário, Stica disse que fará uma consulta no Procon para verificar se a medida é legal. A intenção é saber se o rodízio fere o direito dos consumidores. Se for comprovada a inconstitucionalidade e ilegalidade do decreto, pediremos a suspensão imediata dele em regime de urgência, declarou.
De acordo com o secretário municipal de Meio Ambiente, Ibson Campos, ouvido ontem pela CPI das Funerárias, o decreto foi apenas uma adequação da legislação atual, mantendo o esquema de escalonamento do rodízio. Atualmente, as funerárias seguem o rodízio até a finalização do ciclo, sabendo com antecedência a agência que irá realizar o próximo serviço.
Com o decreto, passa a funcionar um sistema eletrônico de rodízio com sorteio diário da empresa que realizará o serviço. O rodízio continua, mas as funerárias terão conhecimento de qual empresa será responsável pelo serviço no mesmo dia, explicou. Temos que acabar com o rodízio, afirmou o vereador, que definiou o novo sistema como bingão da morte.
Outro assunto que gerou polêmica na reunião de ontem foi a tanatoplaxia processo em que é retirado o sangue do corpo do morto e injetado um composto com produtos químicos. Cerca de 60% dos enterros são realizados após o processo de tanatoplaxia. Os preços para realizar o serviço variam entre R$ 250,00 e R$ 850,00. Ex-funcionários de funerárias apresentaram anonimamente denúncias de que o sangue retirado do morto é jogado em ralos e canaletas. Existe a suspeita de que os processos químicos ainda possam ocasionar danos ao meio ambiente.
Campos admitiu que não tinha conhecimento dos efeitos ambientais que o processo poderia ocasionar. Mas adiantou que mandou fazer um estudo detalhado junto à Secretaria Municipal de Saúde.
Para prestar esclarecimentos sobre a tanatoplaxia, foi convocado para depor na próxima quarta-feira o médico Máximo Azinelli, proprietário da Tanotopar, recentemente fechada por falta de alvará de funcionamento. Outro convocado para depor foi o empresário Roberto Getúlio Maggi.


