Em Curitiba, o problema maior são as moedas
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sábado, 11 de outubro de 2008
Carolina Gabardo Belo<br>Equipe da Folha 
Curitiba Depois de utilizar o caixa eletrônico de um banco no Centro, o professor de Física Celso Luis da Silva Santana, 36 anos, mostrou sua posição contra a greve dos bancários ao rasgar o cartaz que avisava sobre a paralisação. Ele, que trabalha em seis escolas particulares, conta que ainda não foi diretamente afetado pela greve, mas não acha válido o protesto. Os salários dos bancários não são tão baixos e eles também ganham benefícios, os professores trabalham muito mais e ganham menos, afirma.
A movimentação nos caixas eletrônicos é grande. Sem a possibilidade de realizar pagamentos e saques nos guichês internos, a professora Celia Maria Lopes, 54, reclama dos constantes erros de leitura de cartão nas máquinas. A moça diz que tem que ter o jeito, mas não dá certo, diz. Outro cliente faz uma observação. Eles (os bancários) ficam parados e eu aqui em pé na fila, brinca.
O comércio também já sente os reflexos da greve. A atendente de uma casa lotérica Daniele Augusto de Castro, 20, conta que a movimentação no local aumentou, porém eles sentem dificuldade em entregar troco em grandes quantias de dinheiro e não podem encaminhar os cheques que recebem como forma de pagamento. Muita gente vem para pagar contas atrasadas, mas a máquina não aceita, diz.
Na lanchonete onde Edilson Jesus Leite, 37, é gerente, o principal problema também é a falta de moedas. Ele sente falta principalmente das de 5 e 10 centavos. Leite, que está com dificuldades para realizar o pagamento de faturas, afirma que se a situação se estender por mais tempo, a alternativa será modificar o valor dos produtos vendidos na loja.
O diretor do Sindicato dos Bancários, Marcio Kieller, comentou as declarações em relação à greve. Ele afirmou que reconhece o trabalho dos professores, mas que a categoria dos bancários é mais organizada em comparação aos docentes. Compreendo que os professores deveriam ganhar mais, mas isso não quer dizer que a gente não deva se organizar. Nossas paralisações trazem prejuízos imediatos, já a dos professores são prejuízos a longo prazo, disse.


