Curitiba - Centenas de estudantes participaram ontem pela manhã de uma manifestação em frente à sede da Urbs, companhia de urbanização da Prefeitura de Curitiba, para reivindicar mudanças no transporte público da Capital, como redução do preço da tarifa e passe livre para estudantes e desempregados. A Guarda Municipal, a Polícia Militar e a Polícia Civil estiveram no local e, num empurra-empurra, uma das portas de vidro da sede da Urbs foi quebrada.
Houve um princípio de confusão quando uma equipe da Delegacia do Adolescente esteve no local. Segundo o vereador André Passos (PT), que presenciou a manifestação, a delegada Selma Regina Lorega Braga de Moraes, da delegacia citada, deu ordens para que dois policiais civis abordassem estudantes violentamente.
''Eu entendo que houve abuso de autoridade. Os policiais, a mando da delegada, jogaram estudantes na parede, colocaram as mãos deles para trás. Estávamos negociando, estava tudo tranquilo. Se essa delegada não tivesse aparecido, não teria ocorrido nenhuma confusão'', disse Passos. No início da tarde, a Secretaria de Estado da Segurança Pública (Sesp) informou, em nota oficial, que Selma Moraes foi afastada do cargo. A Folha não conseguiu localizar a delegada para comentar o ocorrido.
O estudante Thiago Bagatin, 22 anos, integrante do Movimento Passe Livre, afirmou que a intenção dos manifestantes era apenas entregar na Urbs uma carta com as reivindicações. ''O transporte deve ser encarado como um serviço público, e não como um negócio. O passe livre está ligado ao acesso à educação, direito garantido pela Constituição Federal'', argumentou o estudante.
Ele citou que o movimento também visa outros benefícios no transporte público, como aumento da frota e posteriormente transformação do passe livre em direito universal. ''Achamos que o passe livre estudantil é o primeiro passo para que seja questionado o atual modelo do transporte público'', comentou Bagatin.
Após os estudantes entregarem a carta, ficou acertado que dentro de 30 dias a Urbs irá se pronunciar oficialmente sobre as reivindicações dos manifestantes. ''A Urbs não é contrária a nenhuma isenção, desde que seja demonstrada a fonte de recursos para mantê-la. O custo das isenções é sempre rateado entre os demais usuários do transporte público, o que pode interferir no preço da tarifa'', analisou José Antônio Andreguetto, diretor de transportes da Urbs.

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