Londrina

César AugustoCapítulo finalDemissão de funcionários e ampliação de convênios não foram suficientes para sanear o Hospital LondrinaO Hospital Londrina, localizado em Cambé, fechará as suas portas a partir da zero hora de sábado - dia 1º de novembro. O hospital, que já vinha passando por dificuldades financeiras há alguns meses, será desativado até que a empresa mantenedora (Instituto Geral de Assistência Social Evangélica - Igase) consiga negociar a sua venda com algum grupo interessado. Não há previsão de quando o negócio poderá ser concluído.
Inaugurado no início da década de 80 por um grupo de médicos, o Hospital Londrina pertenceu à Golden Cross e há dois meses passou para o Igase. Atende pacientes particulares e conveniados - não é credenciado para pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS). O diretor do hospital, Francisco Eugênio Alves de Souza, diz que a situação do hospital tem oscilado. ‘‘Passamos uma crise grande em julho, havia mês que dava lucro e, em outro, prejuízo’’, relata.
A confirmação do fechamento do hospital foi comunicado ontem para funcionários, médicos, prefeitura de Cambé, 17ª Regional de Saúde, entre outros. Francisco de Souza confirma que todos foram pegos de surpresa, apesar de saberem que a possibilidade de desativação existia.
Segundo Souza, o Hospital Londrina pertence a uma rede composta por 13 hospitais no Brasil e vários centros médicos (ambulatórios). A empresa mantenedora, Igase, optou pela desativação após fazer uma análise da situação. ‘‘Eles (a empresa) não estão vendo a viabilidade de manter uma unidade aqui’’, explica o diretor.
Antes de optar pelo fechamento, afirma Francisco de Souza, foram tentadas medidas para equilibrar a situação, como ampliação do número de convênios e redução no quadro de funcionários. De cerca de 230 funcionários (incluindo os terceirizados) existentes no início do ano, o hospital conta atualmente com 181. ‘‘Independente da crise, o hospital não reduziu a qualidade de atendimento’’, ressalta.
O Igase, cuja sede fica no Rio de Janeiro, pretende desativar, quitar todas as dívidas do estabelecimento e depois vender. Sem citar valores, Francisco de Souza diz que as dívidas com médicos e fornecedores são pequenas. Os direitos trabalhistas, garante, serão cumpridos.
Francisco de Souza afirma existir vários grupos interessados na aquisição do hospital, mas diz não haver previsão de quando o negócio poderá ser concluído. ‘‘Eu só tenho prazo para fechar, não tenho prazo para reabrir’’, observa. ‘‘Mas, dependendo da velocidade das negociações, o hospital pode reabrir logo.’’ Ele explica que a empresa decidiu encerrar as atividades do hospital para facilitar a situação para o próximo proprietário.
O Hospital Londrina possui uma área total construída de 10 mil metros quadrados, sendo que estavam sendo utilizados 8.800 metros quadrados. Francisco de Souza informa que a média mensal é de 6.400 atendimentos, 260 internações, 240 cirurgias por mês e quatro mil consultas. Dos mais de 60 leitos disponíveis, estavam sendo utilizados 42. ‘‘Não tinha movimento para tanto’’, justifica. Ele informa ainda que não contava com um corpo clínico fixo, mas mais de 100 médicos trabalhavam diretamente com o hospital.
As consultas, afirma o diretor, continuarão sendo realizadas normalmente até sexta-feira. Cerca de 20 pessoas estão internadas no hospital. Francisco de Souza explica que os pacientes que continuarem internados após o fechamento receberão atendimento normal. A previsão é de que na próxima semana não haja mais ninguém internado.

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