O presidente da Associação de Vendedores do Shopping Popular de Londrina Camelódromo começou ontem a cobrança de dívidas de inquilinos inadimplentes. O condomínio do prédio e as contas de luz estão atrasadas em pelo menos dois meses, o que provocou o corte de energia e o fechamento do shopping, na tarde de anteontem. O dono do prédio, o empresário Ibrahim Sayed, já mostrou disposição em negociar as dívidas do aluguel. Os lojistas em dia com as contas deverão reabrir suas portas após o meio-dia de hoje.
O fechamento das lojas foi determinado pelo presidente da associação, Rogério Gonsales, como forma de pressionar os empresários inadimplentes. Na tarde de quarta-feira, técnicos da Copel determinaram a suspensão do fornecimento de energia, por causa de dívidas que somam R$ 25 mil com a empresa. O corte de luz irritou parte dos lojistas. ''Estamos pagando por quem é irresponsável. Se isso continuar, vou parar de pagar também'', reclamou a vendedora Ilza Albuquerque, dona de um dos 350 boxes do local.
Segundo Gonsales, cerca de 150 comerciantes têm algum tipo de dívida com a associação que gerencia o prédio, entre condomínios taxa onde estão incluídos os gastos com energia e aluguéis. O presidente da entidade estima que o saldo devedor já chegue a R$ 80 mil. ''Tem gente que não paga desde que o Camelódromo começou a funcionar'', disse.
Ontem, as portas do prédio ficaram fechadas pelo segundo dia seguido. Seguranças e o próprio Gonsales só autorizavam a entrada de vendedores que quitassem as dívidas. Ainda assim, o shopping não funcionou, por causa da falta de energia. Até o final da manhã de ontem, apenas cinco empresários haviam quitado as dívidas, ou parte delas. Os associados se reunem na manhã de hoje e apenas os que estão em dia com as contas poderão voltar a funcionar.
O primeiro atraso nos pagamentos aconteceu em julho do ano passado, quando a Companhia de Desenvolvimento de Londrina (Codel) foi impedida pela Justiça de quitar as despesas dos camelôs, estimadas em cerca de R$ 40 mil mensais. A Promotoria de Defesa do Patrimônio Público entende que a companhia, fiadora no contrato de locação, estava usando dinheiro público de forma irregular. O dono do prédio acredita que a dívida seja muito maior do que o calculado por Gonsales. ''Não conheço este valor exatamente'', afirmou.
Sayed disse ainda que o contrato de locação do prédio expira em 10 meses. Até lá, o empresário disse que está disposto a negociar os valores devidos do aluguel. ''Depois disso, não vejo problema nenhum em renovar o contrato. Só duvido que eles consigam um novo avalista para isso.''

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