Em Colorado, pedreiros dão exemplo de honestidade
Cidadão é o indivíduo que usufrui dos direitos civis e políticos e que cumpre os deveres definidos pelo Estado. E foi justamente uma ação cidadã que deu destaque a um brasileiro viúvo e pai de dois filhos, de nome Hélio Pereira da Silva, 47 anos, morador de Colorado (Noroeste). No começo do ano, ele pediu para se descredenciar do Bolsa Família porque conseguiu emprego e a renda era suficiente para sustentar os meninos.
A atitude do pedreiro é uma exceção dentro do programa, que tem baixo índice de desligamento voluntário. Silva foi assunto até na revista oficial do governo federal. ''Preferi trabalhar para sustentar meus filhos e deixar esse dinheiro do governo para quem precisava mais do que eu'', comenta, sem soberba.
O pedreiro fala que a esposa, falecida em 2009, recebia o benefício em nome dos dois filhos. Com a morte dela, ele se viu desempregado e com duas crianças - de 5 e 8 anos - para criar. Decidiu requerer o benefício mas conseguiu emprego quando iria começar a receber. ''A gente tem que ser honesto e este dinheiro não faz falta porque posso trabalhar. Acho que também dei um bom exemplo para meus filhos'', diz o primogênito de uma família de 11 irmãos que aos oito anos já encarava a lida na roça junto com o pai.
Na mesma obra em que ele trabalha, outro pedreiro também deixou o Bolsa Família por vontade própria. Há sete anos, Eraldo Paulino Bispo, 65 anos, pediu a exclusão do cadastro para o filho que, na época, tinha 13 anos. ''Criei todos os meus filhos com o serviço de pedreiro e aquele dinheiro não fazia diferença'', afirma o alagoano de Viçosa, que desde os cinco vive no Paraná. (L.A.)





