Em clima de revolta, moradores cobram justiça
PUBLICAÇÃO
domingo, 15 de maio de 2005
Jaime Kaster<Br>Reportagem Local 
O clima ontem à tarde no Jardim Santa Fé era de total revolta pelo espancamento e morte de Jamys Smith da Silva. Desde o momento em que a reportagem chegou ao local, antes de iniciar o velório, até o instante em que deixou o bairro, os moradores e familiares não pararam de gritar palavras de ordem e cobrar justiça. ''Vocês da imprensa têm que fazer alguma coisa por nós, mano. Quem vai olhar pela gente neste momento em que nem na própria polícia nós não podemos mais confiar?'', cobrava um morador. Em frente à casa onde Jamys morava, os moradores colaram cartazes com frases de protesto: ''A quem pedimos justiça quando a polícia mata?'', ''Polícia: herói ou bandido?'' e ''Racismo na favela: Queremos justiça''.
O primo da vítima, Nelson Vicente Galvão, 21 anos, disse, chorando, que a atitude dos PMs ''foi uma covardia''. ''Os caras moeram o Jamys porque ele era negro. Chamaram ele de neguinho folgado. Pô meu, era só uma festa na periferia. Se quisessem fazer alguma coisa era só levar ele preso e pronto. Não precisavam ter feito isso'', desabafou.
Nelson contou que Jamys era como um irmão para ele. ''Faz pouco tempo o Nelson perdeu um outro amigo, o Marcos, que andava sempre junto com os dois. O rapaz foi morto por bandidos, que confundiram ele com outro cara. Agora morre o Jamys aí desse jeito'', dizia indignada a mãe de Nelson e tia da vítima, Neusa Romanholi, 42 anos.
Dentro da casa ele mostrou as marcas da ação da PM: o aparelho de som destruído, garrafas estilhaçadas e um porrete de 1 metro de comprimento quebrado ao meio teria sido usado para destruir os objetos.
Na casa da mãe de Jamys, onde aconteceu o velório, a comoção dos moradores se misturava com desejo de vingança. Já entre os familiares só consternação. A esposa do rapaz, Kelly, chorava ao lado do caixão: ''Você não pode ir. Temos um filho para criar'', referindo-se ao garoto Jefiter, de seis meses. A irmã de Jamys, a dona de casa Patrícia Rodrigues dos Santos, 22 anos, garantiu que o rapaz não tinha problemas com a polícia. ''Ele trabalhava na Ceasa desde os 14 anos e estava há três anos no mesmo emprego. O patrão dele veio de Leópolis até aqui para o velório'', contou um vizinho.


