Em clima de revolta, artesãos deixam praças
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terça-feira, 11 de novembro de 2003
Gilmar Agassi<br>Reportagem Local 
Os artesãos das praças Marechal Floriano Peixoto e Rocha Pombo já estão instalados no Centro de Referência do Artesanato de Londrina, localizado na Avenida Rio de Janeiro (região central). Eles passaram todo o dia de ontem fazendo suas mudanças e decorando os boxes. Alguns mais adiantados se mudaram ainda no domingo e ontem estavam tranquilos, já trabalhando, apesar do pouco movimento de clientes. Somente os hippies insistem em permanecer na praça.
O artesão Mário Rodrigues de Sá demonstrava muita revolta com a necessidade de se mudar para o Cereal. Ele reclamou que a prefeitura fez uma imposição e que eles não tiveram condições de negociar a permanência na praça Floriano Peixoto. Para ele, o aumento na concorrência será prejudicial. Enquanto na praça existiam 27 artesãos, no Cereal serão 54 disputando os clientes. ''Não vendi nada hoje lá'', disse Sá, enquanto acabava de desmontar sua barraca na praça.
A opinião pessimista é compartilhada por Luís Carlos Alves da Silva, que trabalhava há mais de cinco anos na Floriano Peixoto. Ele aproveitou até às cinco horas da tarde, horário limite imposto para saída, para vender seus artigos de couro. Como trabalhou praticamente sozinho, pois os outros estavam se mudando, Luís Carlos afirma ter vendido cerca de R$ 120,00. ''O Cereal vai ser um verdadeiro caixão para os artesãos'', declarou.
Para o presidente da União dos Artesãos da Praça Marechal Floriano Peixoto (Uniflor), Demindo Florentino, as pessoas estão com medo, mas otimistas em relação ao futuro no Cereal. Ela comentou que ontem vendeu pouco mais de R$ 30,00, no Cereal. Em um dia ruim de vendas na praça, segundo ele, era possível vender até R$ 80,00. Sobre a promoção realizada na semana passada pelos artesãos, ele informou que todos ficaram satisfeitos. ''Vendemos tão bem quanto no final do ano'', comemorou.
A operadora de telemarketing Luciana Aparecida Ferreira contou que sempre passava pela praça Floriano Peixoto para comprar artigos de couro. Ela não acredita que as pessoas se acostumarão a ir até o Cereal para fazer suas compras. ''A gente passava pela praça e comprava o que gostava. Era mais fácil'', disse.
Enquanto os artesãos já definiram sua situação, os hippies permanecem trabalhando na Floriano Peixoto. Um deles, Antunes Lima, observou que não adianta a prefeitura colocá-los em um local fechado, como o Cereal, porque ''tradicionalmente sempre trabalhamos em locais abertos''.
O assessor de relações comunitárias da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), Carlos Xavier, garantiu que ainda nessa semana os hippies deixarão a praça e as obras de revitalização serão retomadas. De forma provisória, aqueles residentes em Londrina deverão receber autorização para trabalharem na praça Willie Davis, em frente ao Cine Teatro Ouro Verde. Mas, segundo Xavier, o objetivo da prefeitura é futuramente criar um espaço artístico exclusivo para os hippies.


