O dia mais esperado por Daniela Aparecida Dias da Silva, de 11 anos, foi do jeito que ela merecia. Sol forte, céu azul, cartazes com mensagens de boas-vindas e muitos abraços dos amigos de escola. ''Ela estava tão ansiosa que já tinha deixado a mochila preparada um dia antes e ontem quis subir bem mais cedo para o ponto onde a kombi passa'', contou a mãe, Maria das Graças Dias da Silva, com a voz calma de quem passou por momentos difíceis, mas que foram recompensados ao ver a filha retomando a vida.
No dia 16 de março a garota foi vítima de uma bala perdida disparada por policiais contra suspeitos que invadiram o sítio onde mora com a família. Ontem ela pôde voltar para a companhia dos colegas de 4 série, mas os últimos meses não foram fáceis para a família. Daniela foi submetida a duas cirurgias no crânio. Ontem Maria das Graças comemorou a vitória da filha. ''Graças a Deus ela está fazendo o que quer.''
A mãe contou que ao chegar à Escola Municipal Edmundo Odebrecht, no distrito da Warta (Zona Norte), no início da tarde, além de ansiosa Daniela ficou um pouco assustada com a movimentação dos jornalistas. ''Ela me disse que estava nervosa e assustada com tanta gente, mas que estava feliz por voltar a estudar'', disse.
E ao ver todos os amiguinhos a esperando com bilhetinhos carinhosos, cartazes e lágrimas de alegria, Daniela se sentiu ainda mais realizada. ''Todos os meus colegas estavam me esperando. Guardei os cartazes e vou levar para casa, como lembrança desse dia'', contou.
Vaidosa e com as unhas pintadas por ela mesma especialmente para voltar à escola, Daniela lembrou de como era chato ficar em casa. ''Eu ia com meu irmão todos os dias até o ponto da kombi, olhava meus amiguinhos de longe e ficava com muita vontade de ir junto'', contou ela, que enquanto falava com a reportagem da FOLHA não via a hora de poder sair para o recreio. ''Quero brincar de pega-pega e esconde-esconde de novo com meus amigos. É muito legal'', justificou.
Mesmo tendo perdido um semestre de aulas, Daniela não irá perder o ano. Além das aulas, ela participará dos reforços escolares todas as quartas-feiras. ''A diretora me falou que dá para passar de ano porque em casa eu estudava um pouco. Pegava os livros e lia todas as matérias. Agora, é só estudar direitinho'', explicou.
A diretora da escola, Sônia Aparecida Cupini, revelou que a ansiedade também tomou conta dos outros alunos. Desde a semana passada eles estavam agitados, esperando por Daniela. ''Foi uma recepção bem animada e feliz'', disse.
E o que parecia ser uma tarde normal de segunda-feira se tornou inesquecível na vida da garota, que nos últimos meses lutou muito para estar ali. Diante de tanto entusiasmo, ninguém pode dizer que a segunda-feira é um dia difícil. Para Daniela, até agora, esse foi o mais feliz de sua vida.

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