Em casa errada
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quarta-feira, 02 de outubro de 2002
Lucinéia ParraEquipe da Folha 
Maringá - Sábado à tarde, hora de descanso para o seo Antonio, um auxiliar de pedreiro que trabalha duro para sustentar a família. Naquele dia, depois de deixar o batente, ele decidiu dar uma paradinha em um boteco perto de casa para conversar com os amigos, tomar umas cervejinhas e jogar umas partidas de sinuca. Afinal, bem que ele merecia algumas horas de lazer depois de trabalhar debaixo do sol quente a semana toda e também naquele sábado de manhã.
Bate-papo vai, bate-papo vem e o seo Antonio só foi perceber que já tinha passado da hora de ir embora quando tomou o primeiro tropeção. De tanto beber as cervejinhas que pediu e também aquelas que os amigos pagaram, seo Antonio mal conseguia se manter em pé. Para fazer qualquer comentário então, era aqueeeele sacrifício. Uma frase era dita em uma eternidade de tempo, tão mole estava a sua fala.
Mesmo embriagado, seo Antonio foi firme ao decidir que tinha que ir embora, apesar dos apelos dos amigos para tomar a ''saideira'', depois a ''caideira'' e assim por diante. Andando sempre devagar, como se tivesse contando os passos, ele suspirou aliviado ao dobrar a esquina e avistar o bairro onde mora. Como já eram quase dez horas da noite, resolveu entrar na casa pela porta da cozinha e antes que a mulher começasse a reclamar pelo seu estado nada plausível, já foi tirando a calça, a camisa e os sapatos. As roupas foram deixadas na sala. Seminu, apenas de cuecas, seo Antonio entrou pelo quarto determinado a se esparramar na cama.
Ao entrar no quarto, entretanto, levou um susto ao ouvir gritos de um outro homem que estava deitado na cama. Sem entender nada, ele também levantou a voz e não se conteve em partir para cima do tal homem, imaginando que se tratava de um amante de sua esposa.
O bate-boca e a pancadaria só não foi maior porque lá pelas tantas, depois de alguns socos trocados, a mulher, dona da casa, conseguiu gritar mais alto e se fazer ouvir.
Com a trégua dos socos espalhados pelo suposto amante, seo Antonio pôde ver melhor o rosto da mulher encontrada na cama momentos antes e comprovar que ela não era a sua mulher e que aquela casa não era a sua. O auxiliar de pedreiro não podia acreditar naquela fatídica realidade, mas acabou encarando os fatos e, ainda constrangido, deu meia volta e saiu recolhendo cada uma das peças da roupa que havia espalhado pela sala. Ao fechar a porta da cozinha ainda ouviu os últimos xingamentos do dono da casa.
Já na calçada, a cerca de 20 metros, olhou para trás e falou para si mesmo como se tivesse tentanto arrumar uma desculpa para toda aquela confusão.
- Também, estas casas são tão parecidas!!!


