Cerca de 200 alunos das três maiores escolas públicas estaduais de Campo Mourão participaram ontem de manhã de um protesto contra o descaso do governo com a educação. O protesto aconteceu na Praça Getúlio Vargas, no centro da cidade, e durou duas horas. Acompanhados de professores e até de dois diretores, os estudantes fizeram cartazes com críticas ao governo, distribuíram panfletos e discursaram contra a situação das escolas.
Chamado de ‘‘Escola na rua’’, o protesto chamou a atenção de quem passou pela centro de Campo Mourão. Num panfleto, a APP-Sindicato disse que o ensino público do Paraná está ‘‘agonizando’’ e que faltam carteiras, materiais, equipamentos, merenda, funcionários e segurança. A entidade diz ainda que o governo não cumpriu as promessas feitas às escolas que aderiram ao Programa do Ensino Médio (Proem), que acabou como ensino profissionalizante tradicional.
‘‘As escolas estão virando feiras livres, pois têm que vender pamonha e cachorro quente para sobreviver’’, ressaltou o presidente da APP-Sindicato de Campo Mourão, Amauri Ceolim.
O diretor do Colégio Estadual Marechal Rondon, o mais antigo da cidade, Sérgio Martinhago, disse que as verbas do fundo rotativo são insuficientes e a escola sobrevive com a ajuda da cantina. Mesmo assim, os vigilantes têm que ser pagos pela Associação de Pais e Mestres (APM).
‘‘A única coisa que o governo faz é pedir para que os professores usem a criativiadade’’, disse o professor Antônio Carlos Aleixo. ‘‘Isso é como pedir para se usar a criatividade para acabar com a fome’’. Durante os discursos, uma estudante de 14 anos chegou a lamentar que o senador Roberto Requião (PMDB) tenha perdido a eleição para governador. ‘‘Meu pai votou no Requião e acho que as escolas estariam melhor se ele tivesse ganhado’’, destacou.Sid SauerEscola na rua Alunos no chão da praça: pintura de cartazes, distribuição de panfletos e discursosSid Sauer

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