Em Cambé, programa potencializa colheita de soja
Má regulagem das colhedoras, operadores despreparados e velocidade inadequada são as principais causas de perdas na colheita da soja no Brasil. No País, produtores desperdiçam de duas a três sacas da oleaginosa por hectare. O índice tolerável, de acordo com o pesquisador José Miguel Silveira, da Embrapa Soja, é de até uma saca por hectare, valor médio registrado no Paraná.
Os números alarmantes não fazem parte da realidade de Cambé (Norte), município brasileiro que menos perde soja na colheita. Com área de 35 mil hectares plantados, registra há 12 anos consecutivos perdas médias abaixo de 0,5 sacas por hectare.
A regulagem adequada do equipamento e o respeito à velocidade ideal de colheita são os dois principais fatores que determinam os bons resultados obtidos pelos produtores cambeenses. Através de cursos ministrados regularmente por técnicos da Embrapa Soja, os operadores das máquinas - que são também os proprietários das lavouras - aprendem como preparar as colhedoras, revertendo as informações em mais lucro ao final da safra.
Silveira relata que o maior índice de desperdício acontece na parte frontal da colhedora. ''Por isso, o respeito à velocidade adequada, entre 4 e 6 quilômetros por hora, é fundamental. Mesmo com chuva, não adianta acelerar'', disse. O operador bem preparado é outra peça importante para evitar as perdas. ''Os bons resultados dependem mais do operador do que da idade da máquina'', compara.
Em Cambé, outro incentivo é o Concurso Municipal de Perdas na Colheita de Soja, coordenado desde 1991 pela Emater, em parceria com Embrapa Soja, Cocamar, as empresas de planejamento Terra e Platec e Conselho Municipal de Desenvolvimento Rural. Utilizando o copo medidor de perdas e de produtividade desenvolvido por Embrapa Soja, os técnicos conseguem monitorar quanto de soja fica no solo após a passagem das máquinas.
No concurso da última safra, que avaliou 134 operadores, o primeiro colocado teve perda de 0,03 saca por hectare, com média de 0,46 saca por hectare entre todos os participantes. O engenheiro agrônomo Alcides Bodnar, da Emater do município, explica que a área colhida pelas máquinas participantes do concurso foi de aproximadamente 35 mil hectares, praticamente toda a área cultivada com soja.
''Em comparação com o Paraná, Cambé deixou de perder 0,54 sacas por hectare, o que totaliza 18,9 mil sacas a mais. A um preço médio de comercialização de R$ 43,00, foram R$ 812,7 mil que ficaram nos cofres dos produtores do município. Esse valor daria hoje para comprar 33 carros populares'', contabiliza.
De acordo com o pesquisador Marcelo Hiroshi Hirakuri, também da Embrapa Soja, o Brasil cultivou, na safra passada, 9.473.100 hectares de soja na região Sul e 13.994.800 hectares no Centro-Oeste. Em função de uma estimativa de desperdício de 2,5 sacas, ou seja, 150 quilos de grãos por hectare, e considerando diferentes cotações da soja na região Sul e São Paulo (R$ 31,15) e região Centro-Oeste e restante (R$ 26,00), o País contabilizou prejuízo de R$ 1.647.379.662,50 apenas com os grãos deixados no solo. (C.A.)





