Em cada fronteira, mais problemas
PUBLICAÇÃO
sábado, 01 de novembro de 1997
Curitiba 
Arquivo pessoal
A ousada viagem através das Américas foi feita em cima de motocicletas, cada uma carregada só com o necessário: 40 quilos de bagagem (acima). O roteiro da dupla incluiu 14 países até chegar ao Alasca (abaixo)
A demora na travessia do Canal do Panamá acabou derrubando a vantagem de quatro dias que Clodoaldo Braga e Marcos Vojciechovski tinham em relação ao roteiro inicial. Mas, no barco, um pequeno problema quase atrapalha toda a viagem. No meio do canal, resolvi dar uma olhada no GPS. Estava com velocidade negativa. Estávamos voltando para a América do Sul, espantou-se. Foram três dias de viagem até Cólon, no Panamá.
A travessia da América Central foi menos tensa que a da Colômbia, mas eles tiveram outros problemas. Em cada fronteira, além dos trâmites burocráticos, enfrentamos um grande número de cambistas, agentes aduaneiros, pedintes e curiosos, diz Braga.
Tranquilidade - A dupla de aventureiros entrou nos Estados Unidos no dia 30 de maio. Os dias na terra do Tio Sam foram os mais tranquilos de todo o percurso. Eles aproveitaram inclusive para fazer um pouco de turismo. Deixamos para trás as preocupações com assaltos, os problemas de fronteiras e aquele povo que, de tão curioso, chegava a ser até pegajoso, diz Clodoaldo Braga. Depois de Bellinghan, divisa com o Canadá, os dois foram conhecer a cidade de Vitória, na ilha de Vancouver (Canadá).
A viagem de Bellinghan (Estados Unidos) até Skagway (Alasca) foi feita de barco. Foram três dias contornando a costa canadense. Em Skagway eles atravessaram a região de Yukon, entre lagos e montanhas cobertas de neve. Neste trecho é necessário estar atento, pois a qualquer momento pode-se encontrar algum animal selvagem, disse Braga. Além das temperaturas muito baixas, os motociclistas enfrentaram chuva. O clima no Alasca muda rapidamente. Num instante o céu está aberto e no seguinte chove, conta Braga.
No dia 17 de junho a dupla chegava a Fairbanks, no centro do Alasca. De lá até o destino final seriam 800 quilômetros.
A região até a última cidade alcançável por terra antes do Pólo Norte era inóspita. Os dois cruzaram o Círculo Polar Ártico e no dia 21 de junho, dia mais longo do ano (solstício), chegaram a Prudhoe Bay. Senti uma sensação extraordinária, exultou Clodoaldo Braga. Fantástico. Sem explicação, ecoou Vojciechovski.
De Prudhoe Bay, Braga e Vojciechovski voltaram até Miami, por caminhos diferentes. De lá embarcaram, junto com as motos, para o Brasil. Eles chegaram, mas as motos estão na alfândega, esperando liberação. Eles dizem que temos que repatriar as motos. Atravessamos 14 países com elas e podemos provar isso. É má vontade, alfineta Vojciechovski. (F.P.)


