Em cada canto da casa, uma lembrança
Um embrulho colorido é um símbolo na casa muito simples dos Oliveira Lopes. Símbolo que o pior não aconteceu e que a família amputada vai recuperar o membro que o destino engoliu. O pacote está à espera das mãos curiosas de Luana. É uma ''lembrancinha'' da avó paterna, Irene. Presente para os nove anos, completados no dia 11 de março.
''Abraçava a Luana em todo o aniversário. Mas desta vez faltou o abraço e a gente não tinha certeza de nada. Foi muito difícil'', compara a mãe Neide Ribeiro de Oliveira Lopes, 30 anos.
É um momento raro, a voz da dona de casa embargou somente esta vez na tarde de ontem. No restante do tempo, a firmeza do seu olhar e do seu companheiro, mostra que a esperança permanece inabalada na casa de poucos móveis, de geladeira quebrada e sem cama para todos. O pai esboça um pedido: acha que mais detetives poderiam ser suficientes para elucidar o caso.
A mãe diz que reza todas as noites pensando nela e muitas vezes a menina aparece em seus sonhos. Nas imagens em preto-e-branco, Luana diz que mudou de vida e depois clama pela mãe. ''Espero que estejam cuidando bem dela''.
Luana gostava mais da mochila e de material escolar do que da única boneca, conta a mãe. Nem ela nem Diego estavam matriculados na escola quando ocorreu o desaparecimento. Os investigadores lamentaram o fato do menino não ser alfabetizado e não poder dar mais detalhes sobre o caminhão. Este ano, Diego voltou a estudar. (L.F.M.)





