Em cada barraca uma história
Por trás dos objetos e prateleiras do Shopping Popular, há histórias de pessoas que encontraram no setor informal um jeito de ganhar a vida. Dona Nadir Rosa de Lima Soler, 61 anos, é uma delas. Casada com Eduardo, mãe de cinco filhos e com sete netos na contabilidade familiar, ela já atua como ambulante há três anos. ''A necessidade me levou a isso'', contou.
Quando jovem, dona Nadir Soler trabalhou nas Lojas Americanas, Mirex e outros lugares, mas ficou doente e aos 52 anos precisou operar a coluna. ''Depois disso não consegui mais emprego'', disse. Num primeiro momento, ela começou vendendo mercadorias de porta em porta. Hoje, passa seu tempo entre bijuterias, roupas e brinquedos que pretende comercializar no novo shopping.
''A minha esperança é que seja melhor, mas a gente joga no bicho. Lá (no outro camelódromo) os clientes passavam na nossa porta. Agora temos que arrastá-los para cá'', destacou. Apesar da idade, ela não pensa em parar tão cedo com seu ofício. ''Trabalharei enquanto vida eu tiver'', afirmou, com sorriso nos lábios.
Francisco Rodrigues Mendes, 57 anos, é outro personagem desta história. Atua como camelô há mais de 20 anos. ''Nessa vida inteira sempre fui vendedor'', salientou. Ele já trabalhou em loja e em hospital, mas confessa que nunca gostou de ter patrão. ''Sempre quis trabalhar por conta própria.'' A necessidade empurrou Francisco Mendes para as ruas. ''Eu morava em Mandaguari. Quando mudei para Londrina não tinha emprego e fui para a rua'', lembrou.
O ambulante contou orgulhoso que ''estudou e casou seus três filhos''. Hoje, ele vive apenas com a esposa e chega a ganhar R$ 1,5 mil mensais vendendo calçados, bolsas e cintos. ''Se aqui for igual era lá, vamos estar de parabéns'', disse, otimista.
Apesar de gostar do que faz e conseguir se manter com o trabalho, Mendes se arrepende um pouco de ter saído do mercado de trabalho formal. ''Eu poderia estar aposentado e descansando. Mas minha aposentadoria é aqui'', observou. E para colaborar na ''aposentadoria'', ele conta com uma valiosa mudança. ''Troquei o nome da minha barraca. Agora chama Shekiná, que quer dizer 'Deus está neste lugar'. Temos que nos apegar em Deus'', finalizou.





