Em busca do empreendedorismo
Londrina - Bruno Alves, 19 anos, quer ser advogado. Participante do Instituto Eurobase há oito anos, ele já se considera vencedor, pelo menos de uma etapa da vida. O jovem conta que, quando tinha 15 anos, como se destacava na oficina de capoeira, surgiu a possibilidade de ser monitor três vezes por semana dos outros alunos. "A ajuda era de cem reais, e eu aceitei. Fui monitor todo esse tempo, até que agora entrei como auxiliar administrativo. Já tenho um salário. Pode ser um incentivo para quem hoje é educando, para eles saberem que um dia podem trabalhar aqui mesmo, na comunidade", acredita. Ele não contou apenas com a sorte, no entanto. "Fiz um curso de auxiliar administrativo no Senac, porque acho que todo diploma é importante".
O sonho não para por aí. Agora fazendo parte do projeto #PartiuVoar, ele teve novas ideias. "Quero abrir uma loja com a minha mãe, e quem sabe depois que eu me formar em Direito, ela fica com a loja. Achei o curso fantástico."
Participantes mais jovens do Eurobase também estão aprendendo a sonhar. Hugo Gabriel Rodrigues, 15 anos, por exemplo, quer ser médico. "Acho que esse curso novo vai ajudar a firmar meu caminho. Posso aprender uma coisa e depois realizar", acredita. Já Adrian Felipe de Oliveira Cardoso, 13 anos, acha que o projeto pode ajudá-lo no sonho de ser mestre de obras. "Gostei muito da aula passada, a gente pensou sobre o que mais gostamos bairro, começamos a ter ideias". Já Lucas Souza de Oliveira, 11 anos, afirma que os pais ficaram felizes com a participação dele no projeto. "Não é bom ficar em casa sem fazer nada. Aqui a gente sempre aprende muito", ressalta o adolescente, que quer ser bombeiro.
A educadora social Pâmela Rachel Alves, acredita que o projeto irá mostrar "um futuro diferente" aos adolescentes. "Não é porque eles moram aqui que eles não podem mudar, que eles não podem sonhar. O projeto vai mostrar isso". Ademilton Rosa de Oliveira, assistente social, acrescenta que analisando o histórico do bairro, "os adolescentes são permeados por perdas". "Muitos não têm oportunidade de sonhar, por conta da realidade que vivem. Esse projeto vai intensificar esse sonho, a autonomia e capacidade de decisão deles por um futuro melhor", finaliza. (P.B.O.)





