Em busca de um plano B
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quarta-feira, 04 de maio de 2016
Rafael Souza<br>Reportagem Local 
Lá se vai mais de um ano e meio convivendo com a dura realidade do desemprego. Todos os dias, Fernanda Cachone Marques, de 27 anos, acorda na esperança de encontrar uma vaga na área administrativa, na qual ela possui formação e experiência. Mas ela está cansada. Diante da crise econômica, já se conformou que não dá mais para ficar aguardando. E resolveu pôr em prática uma ideia que amadurecia há meses: buscar um plano B.
Depois de tanto pesquisar sobre uma nova área de interesse, ontem ela viu a oportunidade passar diante de seus olhos e não desperdiçou. Quando soube que poderia conhecer um pouco mais sobre como se tornar uma profissional de maquiagem e/ou design de sobrancelhas, não titubeou. Na 3ª edição da Feira de Profissões, realizada pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac), ela aproveitou para conhecer um pouco mais sobre a atividade e saiu de lá 95% convencida do novo rumo que deverá tomar.
"Já tinha pesquisado bastante sobre uma nova área para trabalhar, e sempre gostei de maquiagem. Gostei muito do contato, da forma com que elas conduziram o trabalho, da didática. Deu para ter uma boa noção", afirmou Fernanda.
Recém-chegado a Londrina, Ricardo Spinardi, de 37 anos, também viu na feira uma boa chance de buscar uma nova ocupação. Insatisfeito com o trabalho, deixou a carreira de militar em São Paulo para trás para viver no Norte do Paraná há dois meses. Ele ainda está em dúvida sobre qual caminho seguir, mas se interessou pelo curso de pizzaiolo, no qual já está matriculado e tem até data para começar. "Estou pensando em investir, talvez abrir uma pizzaria. Quem sabe posso começar como empregado e depois abrir meu próprio negócio. Vou fazer o curso para ver se é isso mesmo", contou.
A escolha pelo ramo alimentício tem uma explicação. Ele acredita que pode ser a opção mais segura no atual momento. "Alimentação é um ramo estável. Querendo ou não, todo mundo tem que se alimentar e, se a comida for boa, a chance de dar certo muito grande", explicou.
A técnica de relações com o mercado do Senac, Juliana Rafaela Suavi, explica que a busca por uma segunda ocupação além da formação principal é uma tendência cada vez mais forte e que pode ajudar as pessoas a terem uma vida menos apertada na crise. "É cada vez mais uma necessidade, porque as pessoas estão perdendo seus empregos e a capacitação ajuda muito. Pessoas que também não trabalhavam, que dependiam da renda de uma única pessoa na casa, também estão buscando porque estão vendo que não está dando."
"O Senac trabalha com diversas áreas, mas as que têm mais procura são as áreas de beleza e gastronomia porque a pessoa tem a facilidade de fazer um curso curto, com investimento baixo, e pode desenvolver o aprendizado em casa mesmo, com mais praticidade. Faz a venda e começa a gerar renda para a família", completa Juliana.
Esse é justamente o plano do Alexandre Taveira. Aos 40 anos, ele atua como farmacêutico há 15 anos e já pensa numa nova profissão. Na tentativa de unir prazer e rentabilidade, o londrinense escolheu gastronomia. A ideia é começar aos poucos e depois partir para voos maiores. "Vejo muitas pessoas que começaram assim e depois deixaram a profissão em segundo plano pela gastronomia. Pretendo coordenar um restaurante", afirmou o farmacêutico, que participou da oficina de culinária japonesa. "É uma coisa mais constante, que foge dos modismos", desenhou.
"O mercado está muito exigente e as oportunidades são poucas. E aquelas que pessoas que possuem uma capacitação já vão sair na frente", encerrou Juliana.
Segundo o Senac, mais de 500 pessoas passaram pela feira ontem. O evento foi realizado em todas as 36 unidades do Senac no Paraná. O Senac disponibiliza 1.093 cursos, entre técnicos, de aprendizagem e ensino a distância. Mais informações no www.pr.senac.br


