''O que atrapalha a educação de nossos alunos não são somente as limitações da escola pública, mas a vontade dos professores de querer fazer diferente.'' A afirmação é do professor de Física Thiago de Oliveira Borges, que encontrou em experimentos simples e materiais utilizados no dia a dia a ferramenta ideal para despertar o interesse dos alunos da Escola Estadual Nossa Senhora de Lourdes (zona leste de Londrina).
A abordagem criativa tem estimulado tanto os alunos que muitos optam por ficar além do horário das aulas para participar do clube de ciências ''Pequenos Einsteins'', desenvolvido pelo professor no colégio desde o ano passado. Ontem, cerca de 400 estudantes apresentarem os trabalhos desenvolvidos ao longo do ano na 2 edição da Feira de Ciências do colégio.
Usando caixas de papelão, garrafas pet, latinhas de refrigerante, linha de pescar, palitos de sorvete e vários outros materiais recicláveis, os alunos criaram objetos aplicando conceitos de mecânica, ótica, eletricidade, física quântica e eletromagnetismo. São balanças de fluídos, mãos hidráulicas, majolos, mini ar-condicionado, lâmpadas de lava fluorescente, barcos a vapor, geradores de dvd player, foguete de garrafa pet, canhão de batatas e muitos outros experimentos.
''Eu já tinha visto na televisão, mas não achei que fosse verdade. É incrível que com uma bala você consegue furar o coco. E isso é só um dos exemplos simples da aplicação dos conceitos de tranferência de força de Newton'', destacou a aluna do 1º ano do Ensino Médio, Karina Machado, de 15 anos, enquanto apresentava o experimento ensinado pelo professor aos colegas.
Este é o primeiro ano que Karina tem aulas sobre a disciplina. Segundo ela, o conteúdo é mais interessante do que imaginava pela forma com que é apresentado. ''É a forma como o professor conduz a aula. A gente vê a praticabilidade disso no nosso dia a dia. Não é uma coisa distante, abstrata para gente'', salientou a jovem.
Para a aluna Amanda Cardoso de Sá, de 16 anos, aluna do 2º ano, a criação de um majolo ajudou a fixar conteúdos sobre equilíbrio dinâmico e pressão. Além disso, ela aprendeu sobre ferramentas de trabalho produzidas manualmente por trabalhadores rurais há décadas. ''Quando a gente vê algo concreto é muito mais fácil de prestar atenção, entender e ainda fixar a matéria do que simplesmente ficar fazendo cálculos'', comentou.
De acordo com o professor, o projeto Pequenos Einsteins surgiu por causa da vontade de transformar o aprendizado da disciplina em algo prazeroso para os alunos, que despertasse a curiosidade e a busca por aprender cada vez mais. ''É comum ouvir as pessoas dizendo que existe um abismo entre o professor e o aluno e eu não queria que isso. Foi aí que surgiu a proposta de utilizar uma metodologia diferente, que me aproximasse dos alunos e, consequentemente, aproximasse a física deles também'', explica.
Enquanto se divertia com o barco a vapor produzido por ele e os colegas, o Habner Nascimento, de 15 anos, confirma o sucesso das aulas de Borges. ''Todo mundo gosta, porque a gente aprende mais fácil e também se diverte.''

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