Em busca de mudança de vida
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segunda-feira, 15 de julho de 2013
Vítor Ogawa<br>Reportagem Local 
Em uma das definições do dicionário da Língua Portuguesa da Academia Brasileira de Letras a palavra esperança é descrita como torcer ou ter fé, confiar, crer. A palavra é a principal força motriz para que os alunos do Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec) ultrapassem as dificuldades do dia a dia para transformar suas vidas. O Pronatec oferece cursos gratuitos de diversas áreas para pessoas de baixa renda se qualificarem profissionalmente. Mas o que eles buscam é muito além disso. Eles buscam uma cidadania plena.
A empregada doméstica desempregada Adriana Aparecida Simão, de 38 anos é um exemplo de persistência para sair das estatísticas de desemprego no País. Ela já fez dois cursos pelo Pronatec (Informática e Portaria e vigia), mas não conseguiu emprego. Agora frequenta a turma de Panificação e Confeitaria no Senac. "Eu tomei conhecimento desses cursos pelo Cras (Centro de Referência de Assistência Social), que me encaminhou até o Senac", recordou Adriana.
Com as aulas de Panificação, Adriana espera finalmente conseguir um emprego. Ela confidenciou que das três opções, tem mais afinidade com esse tipo de atividade, já que adora cozinhar.
E vontade é algo que não falta à aprendiz, que percorre a pé o caminho de ida e volta - de sua casa, no Jardim Cristal 1 (zona sul), para o Senac (área central). A distância é de 8,5 km. "Eu gosto de caminhar e nem sinto que é tão distante", declarou, relatando que sai às 16h30 de sua casa para poder chegar no horário da aula, às 18h30. O dinheiro que ela economiza com a passagem (o benefício é dados aos alunos do Pronatec) usa em benefício dos quatro filhos o mais velho tem 17 anos e o mais novo 5.
Indagada sobre como imagina a sua vida daqui a cinco anos, Adriana afirmou que quer estar empregada em uma padaria. "As aulas têm sido muito gratificantes. Eu já sabia fazer bolos e tortas, mas eu quero aprender muito mais."
Para vizinhos
Uma outra moradora do Jardim Cristal 1 que também realiza o curso de Panificação é a microempresária Priscila Goulart Aguilar, de 32 anos, que já faz bolos, tortas e doces para vender aos vizinhos. Ela contou que se cadastrou no programa de microempreendedor individual (MEI) e já realizou um treinamento pelo Sebrae para aprender como gerir uma microempresa, mas agora quer se aprimorar mais ainda na área de panificação e no atendimento.
Priscila contou que antes, quando um cliente dizia que na concorrência o produto estava mais barato, ela simplesmente falava para ele ir comprar lá. "Depois de frequentar as aulas aqui no Senac eu aprendi que jamais poderia falar aquilo, mas que eu tinha que explicar o motivo dos valores serem diferenciados, que estão relacionados ao uso de matéria-prima de melhor qualidade", destacou. "Daqui a cinco anos eu quero ter a minha própria padaria e confeitaria e gostaria que todos do curso estivessem lá trabalhando comigo", projetou.
Recomeço
No caso de seu colega Rodolfo de Oliveira Nogueira, de 44 anos, o aprendizado de uma profissão é uma maneira dele deixar de vez seu passado vinculado ao consumo de drogas. Ele relatou que já foi viciado em crack e isso acabou com sua vida. Separou-se de sua mulher e vive distante dos filhos. "Eu já cheguei a trabalhar como corretor de imóveis e ganhei muito dinheiro. Também já tive meu próprio negócio no Rio de Janeiro, mas perdi tudo isso por causa das drogas", lamentou Rodolfo, que chegou a viver na rua. Ele ficou sabendo do curso pelo aviso em um mural na Casa do Bom Samaritano, onde mora atualmente. Membro do Conselho Municipal de Políticas Públicas sobre Álcool e outras Drogas (Comad), ele diz que hoje reencontrou o verdadeiro sentido de viver. "Eu já havia me inscrito para um curso de mecânico, mas o que queria mesmo era fazer esse de Panificação", destacou.
Segundo a coordenadora do Senac, Gislene do Rocio Solareviski, as turmas do Pronatec são frequentadas por pessoas que recebem benefícios como o Bolsa Família, encaminhadas pela Previdência Social, entre outros. Com perfis tão diversos ela afirmou ser gratificante ver a história de vida de cada um dos alunos e o esforço que fazem para melhorar de vida. "Nós não temos um controle de como ficam esses alunos depois que eles se formam, mas de vez em quando um ou outro aparece aqui para dizer que está empregado", disse.
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