Em busca de espaço para o misticismo
A época em que a pessoa nascia, era educada, casava e morria em uma mesma religião não existe mais, de acordo com a antropóloga Elena Andrei. Em âmbito mundial, isso se deve ao processo da globalização, resultando no que ela chama de deslizamento de paradigmas, em virtude da fragmentação e da oferta muito grande de possibilidades religiosas. Isso sem falar na internet, local onde surgem novas religiões que só existem por lá. Eu tenho alunos que são odinistas, devotos de Odin e das divindades nórdicas, e é uma religião que só existe na internet. A jedi, do filme Star Wars, hoje é uma religião (também fora da ficção), exemplifica.
Para a antropóloga, muitas pessoas vão ao encontro de determinadas religiões atrás de um espaço para o misticismo que a ciência desconsidera. No budismo vão buscar a mística, no islamismo vão buscar a mística, no camdomblé vão buscar a mística. Porque estamos em um mundo dirigido pela ciência. A ciência nos oferece teoricamente apenas as respostas, mas também os problemas que durante muito tempo sequer foram problemas. E você não tem resposta porque a ciência é a linguagem definitiva. Não tem barganha com a ciência. Então as pessoas vão buscar a barganha na mística.
No Brasil, o momento político marcado por corrupção também pode ter causado nas pessoas a perda da identidade nacional, fazendo com que elas busquem em outras pátrias algo com que se identifiquem. Então talvez quem é brasileiro e busca o budismo, está buscando no Japão alguma coisa que ele sente que pode se identificar com menos vergonha, completa. (M.F.C.)





