Londrina – A semana foi de muito trabalho para a equipe do Banco de Leite do Hospital Universitário de Londrina. Os profissionais tentaram driblar a falta de leite materno com a conscientização de novas doadoras. A divulgação deu resultado, mas, na prática, grande parte das doações só chegará aos bebês prematuros na semana que vem.
A coordenadora do Banco de Leite do Hospital Universitário (HU), Márcia Benevenuto, explicou que as equipes vão até as casas das doadoras voluntárias, repassam os potes de vidro esterilizados e orientam como deve ser feita a retirada do leite. "As mães precisam tomar alguns cuidados como utilizar máscaras e gorro, lavar as mãos, desprezar os primeiros jatos de leite e não tossir ou espirrar em cima do produto", detalhou.
O número de doadoras varia mês a mês, de acordo com a produção de leite materno. "Ficamos sem estoque nesta semana e é uma tristeza o bebê que acaba de nascer ter que receber uma fórmula porque não tem leite materno", lamentou Márcia. O Banco de Leite do HU recebe, em média, 250 litros por mês, mas precisaria de um estoque com, pelo menos, 400 litros para atender Londrina e região.
Além dos pacientes do HU, o Banco de Leite beneficia crianças da Maternidade Municipal e dos hospitais Evangélico e Infantil. A coleta também é feita nas cidades de Cambé, Rolândia e Cornélio Procópio. Parte do leite pasteurizado em Londrina retorna aos municípios vizinhos para auxiliar o tratamento dos bebês.

Emoção
A filha de Ana Beatriz Bastos foi uma das crianças contempladas em Londrina. Ana Luisa nasceu em fevereiro deste ano aos seis meses e meio de gestação. A prematura foi direto para a UTI Neonatal do Hospital Evangélico e recebeu leite materno de uma mãe voluntária nos dois primeiros dias de vida. Ana Beatriz teve eclâmpsia e também foi encaminhada à UTI do mesmo hospital. Após a recuperação das duas, ela não conseguiu produzir leite suficiente e precisou de uma nova ajuda da equipe do HU.
"A emoção foi muito grande quando ela saiu da UTI. A produção caiu de repente. Eu não tinha como dar leite. É uma sensação muito ruim. Eu me sentia culpada. É minha primeira filha", contou Ana Luisa.
Ana Beatriz procurou descansar e incentivar a produção de leite com massagens nas mamas de duas em duas horas. Ela voltou a amamentar dois dias depois e agora ajuda a equipe do HU. "São, mais ou menos, 50 ml por dia que vão para a doação. O que sobra de cada mamada eu retiro e guardo para o Banco de Leite. Meu sonho era amamentar. É um momento só meu e dela. Agora também posso ajudar outras mães", disse emocionada.
Toda mulher saudável que estiver amamentando e perceber que há uma sobra de leite pode fazer a doação. "Elas não podem estar fazendo uso de medicamentos contraindicados para o aleitamento e, preferencialmente, não devem ser fumantes", afirmou Márcia Benevenuto.
O leite materno é essencial, pelo menos, durante os seis primeiros meses de vida. "Não existe alimento que substitua o leite humano", destacou Márcia. Além dos bebês prematuros, o Banco de Leite também beneficia crianças alérgicas ou casos com restrição alimentar.

Serviço
As interessadas em fazer doações ao Banco de Leite do HU podem ligar para o telefone (43) 3371-2390.

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