Em blitz, motorista nunca admite ter bebido demais
O advogado Cassius Roberto Mancia, 31 anos, tomou duas cervejas, ia embora para casa, mas foi parado numa blitz do BPTran na Rua Cruz Machado, no centro de Curitiba, na terça-feira passada. Ele não passou pelo teste do bafômetro. O senhor apresenta sintomas de embriaguez e será encaminhado à Delegacia de Acidentes de Trânsito, comunicou o tenente Marcelo Roke Fávero, que comandava a operação. Mancia bem que tentou contra-argumentar. Eram duas cervejas Pilsen, não estou bêbado, disse.
Pelo resultado do bafômetro, Mancia não teria condições de estar dirigindo. O tolerável aceito pelo aparelho é 6% BAC. O exame do advogado atestou 9% BAC. Mesmo negando aparentar os sintomas de embriaguez, Mancia promoveu um ritual antes de se submeter ao teste do bafômetro. Ele mascou chicletes e tomou água mineral, mas nada disso adiantou. Vou contestar esse resultado. Vou recorrer, sou advogado e trabalho com isso, disse. Mancia garantiu que era a primeira vez que havia sido detido numa blitz.
Em média, a cada 24 horas, cinco motoristas que apresentam sintomas de embriaguez são levados pela Polícia Militar para a 1ª Delegacia de Acidentes de Trânsito (DAT) da capital. A embriaguez ao volante ainda não diminuiu, ressalta o delegado-adjunto da 1ª DAT, Osório Sinhori. Quem não quiser incômodos numa noite de folia basta seguir um conselho simples do policial: Os que optarem pela bebida, que peguem um táxi ou não dirijam.
O mestre de capoeira Maurício Beraldi, 37 anos, também foi submetido ao teste de bafômetro na blitz de terça-feira. O exame não acusou nenhum indício de embriaguez. No entanto, Maurício foi detido e acusado de ter desacatado um policial. Ele ficou revoltado com a apreensão do carro que dirigia. O veículo estava com o chassis rebaixado, fora dos padrões determinados pela legislação de trânsito. Maurício teria chamado um policial de otário. Ele nega. Não agredi, não falei nada para ninguém. Apenas reclamei para mim mesmo, afirmou. Beraldi discordou ainda da retenção do carro, que era de um amigo. O carro não deveria ser retido por um mero detalhe, disse.
Mesmo que o novo código determine que em caso de suspeita de embriaguez o condutor seja obrigado a se submeter ao bafômetro, na prática isso pode ser um pouco diferente. Se a pessoa se recusar a fazer o teste, é impossível obrigá-la a realizar o exame, alega o tenente do BPtran, Marcelo Roque Fávero. No entanto, para o policial, a pessoa que se recusar estará assinando embaixo que está embriagado. (D.V.)





