Londrina

Dorico da Silva‘Nosso curso é um dos melhores do País. Os alunos saem prontos para o mercado de trabalho’
Edson Lavado e Dirce Fujisawa, da UELO curso de Fisioterapia foi a grande surpresa do vestibular da Universidade Estadual de Londrina. Historicamente em terceiro ou quarto lugar na lista das preferências dos candidatos aos cursos da área de saúde, a Fisioterapia saltou para o segundo lugar, ficando atrás apenas de Medicina. E a concorrência não será das mais fáceis. Há 42,83 candidatos por vaga no vestibular que será realizado em janeiro do próximo ano.
A chefia do Departamento de Fisioterapia da UEL credita a grande procura a dois fatores: à qualidade do curso e à nova visão do mercado de trabalho sobre a profissão. O chefe do Departamento, Edson Lopes Lavado, ressalta que o fato de que a UEL tem um hospital-escola (Hospital Universitário) e, portanto, apresenta uma grande quantidade de patologias que podem ser estudadas. Para ele, isso coloca o curso entre os melhores do País.
No Guia Abril do Estudante, o curso de Fisioterapia da UEL é classificado como cinco estrelas, ao lado dos cursos das Universidades Federal de Pernambuco, Federal de Santa Maria (RS), Federal de São Carlos (SP), PUC de Campinas (SP) e Universidade de São Paulo. ‘‘Nossos alunos saem prontos para o mercado de trabalho. Para se ter uma idéia, no penúltimo concurso do Hospital Sara Kubitscheck, em 95, os 1º, 2º e 3º lugares foram preenchidos por formandos da UEL.’’
Foi justamente a qualidade do curso que atraiu a aluna do 1º ano Michele Drociunas Pacheco, 21 anos, que se mudou de São Paulo para Londrina para fazer Fisioterapia na UEL. ‘‘O nosso curso está entre os melhores do País.’’ Com problemas na coluna, Michele há tempos é frequentadora de clínicas de fisioterapia, o que a fez olhar para a profissão com outros olhos. ‘‘Como estava sempre em contato com os profissionais, fui gostando do trabalho e quando decidi que faria o curso procurei mais informações sobre a profissão.
‘Há 10 anos, éramos comparados a massagistas. Hoje, trabalhamos em equipe junto com médicos’
Afonso Salgado, fisioterapeuta
Também aluna do 1º ano, Sissi Magda Cotarelli, 20 anos, já tinha vários amigos fisioterapeutas antes de entrar no curso, o que a influenciou na hora da escolha. ‘‘É uma área em expansão e temos que nos especializar para enfrentar o mercado de trabalho,’’ comenta. ‘‘Sempre gostei da área de biológicas e este é um curso muito interessante. Fisioterapia é, hoje, qualidade de vida,’’ resume Sissi.
Além da propalada qualidade do curso da UEL, há pelo menos mais um fator que tem atraído novos estudantes para a área. Os resultados das terapias aplicadas, resultantes de avanços tecnológicos e especializações dos profissionais da área, têm sido divulgados pelas televisões, jornais, revistas e outros meios de comunicação de fácil acesso. A profissão, que tem apenas 28 anos de regulamentação no Brasil, amplia cada vez mais seu raio de atuação.
‘‘Há uma conscientização crescente sobre a necessidade da fisioterapia. Atualmente, ela se estendeu para praticamente todas as áreas da Medicina’’, observa Edson Lopes Lavado. Entre elas, o chefe de Departamento cita Ginecologia e Obstetrícia, Pediatria, Neurologia, Moléstias Infecciosas, Pneumologia e Geriatria.
A vice-chefe do Departamento, Dirce Fujisawa, acrescenta que a Fisioterapia ainda ganha destaque no aspecto preventivo. ‘‘Existe uma busca crescente pela prevenção de doenças como a LER (Lesão por Esforço Repetitivo) e lombalgias, que acarretam problemas sérios a funcionários e empresas’’, diz. Ela ressalta que o número de licenças médicas ocasionadas por essas doenças são tão grandes que empresas maiores, como a Rhodia e a Volks, em São Paulo, já contam com fisioterapeutas em seu quadro de profissionais para desenvolver o trabalho preventivo.
‘‘O objetivo maior da Fisioterapia é proporcionar uma melhor qualidade de vida às pessoas. Um exemplo disso é o fato de estarmos entrando na área de Psiquiatria, devido aos benefícios da atividade física - como alongamento - proporcionados aos pacientes’’, comenta Dirce Fujisawa.
Quanto mais a profissão avança e é divulgada e quanto mais cresce a concorrência, mais o profissional tem que partir para a especialização. ‘‘Isso é um ponto bastante positivo’’, considera a presidente do Centro Acadêmico de Fisioterapia da UEL, Thátia Regina Bonfim. Para ela, os alunos que chegam ao curso hoje estão bem mais conscientes do papel do fisioterapeuta.
‘‘Muitos candidatos, antes de prestarem o vestibular, vêm ao HU para ver como atua um fisioterapeuta. Eles já chegam ao curso com mais informações do que os alunos chegavam até uns anos atrás.’’ Esses alunos, ressalta Thátia, já sabem que ao terminar a faculdade terão que continuar estudando para se manter no mercado de trabalho.
A visão dos alunos é comprovada na prática pelos profissionais que atuam na área. ‘‘Hoje, é muito pouco fazer apenas o curso de graduação’’, afirma o fisioterapeuta Afonso Salgado. Ele ressalta que o profissional tem, cada vez mais, que saber avaliar o paciente para buscar as causas do problema aparente. ‘‘Não adianta, por exemplo, tratar da coluna sem saber o que está causando a dor.’’
Segundo Salgado, fora do Brasil a Fisioterapia é uma das profissões mais respeitadas. Ele dá uma dica para quem está fazendo ou pretende fazer o curso: além do amplo mercado de trabalho aberto no País, nos Estados Unidos haverá 35 mil vagas para fisioterapeuta no ano 2000. ‘‘E o currículo de lá é compatível com o do Brasil.’’ O fisioterapeuta comenta ainda a evolução da área no País. ‘‘Há cerca de 10 anos, nossa profissão era comparada à de massagista. Hoje, trabalhamos em equipe junto com médicos e outros profissionais da área de saúde.’’
O avanço da tecnologia é outro aliado do profissional. Segundo Afonso Salgado, hoje existem equipamentos extremamente modernos, capazes de diagnosticar e tratar o paciente. ‘‘E temos equipamentos nacionais e importados e é possível ter acesso a eles facilmente. Temos tudo no Brasil.’’
O também fisioterapeuta Nelson Shirabe lembra que no final dos anos 80 a Fisioterapia já despontava como uma das profissões em ascensão no ano 2000. ‘‘Atualmente, a fisioterapia está em pleno crescimento.’’ Ele é outro que engrossa o coro da necessidade de o profissional estar sempre se atualizando e se especializando.
‘‘Saímos da faculdade como um clínico geral. Depois, cada um tem que procurar sua especialidade’’, cita Shirabe. Ele acrescenta que o campo de atuação do profissional está cada vez mais vasto. ‘‘Temos colegas fisioterapeutas trabalhando com animais, no interior de São Paulo’’, exemplifica. O trabalho é desenvolvido, especialmente, junto a haras e animais de pequeno porte mas grande valor comercial.
Uma das formas de atuação dos fisioterapeutas de animais, explica Shirabe, é no auxílio ao tratamento de processos inflamatórios e de traumas. Outra área que vem ganhando destaque é a denominada ortótica, que atua na reeducação ocular, funcionando como terapia complementar ao tratamento de estrabismo e pós-operatórios.
Só para exemplificar as várias especialidades da Fisioterapia, Shirabe cita a eletrotermoterapia (utilização de equipamentos fisioterápicos), a cinesioterapia (tratamento através de exercícios), mecanoterapia (utilização de equipamentos mecânicos), hidroterapia (terapia através do uso da água), hipoterapia (tratamento com uso de cavalos) e massoterapia (uso de massagem).
Uma nova faceta da profissão, que já começa a ganhar espaço em Londrina, é o tratamento domiciliar. Há cerca de três meses funciona na Cidade a Doctor Care, uma empresa que oferece vários profissionais da área de saúde que se deslocam até a casa do paciente. Entre esses profissionais, estão os fisioterapeutas.
‘‘Os pacientes recebem alta e é importante que tenham um tratamento fisioterápico em casa’’, aponta o fisioterapeuta da Doctor Care, Emerson Roberto Veduvoto. Segundo ele, o atendimento evita problemas de trombose, atrofia muscular, problemas respiratórios, pneumonia, entre outros - além de proporcionar a reabilitação em menor espaço de tempo. ‘‘A humanização do atendimento está impondo novas regras ao mercado.’’

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