EM ALGUM LUGAR DO PARANÁ
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 04 de maio de 2011
Widson Schwartz <br> Especial para a FOLHA 
Considerando-se a origem no povoado Alambari, fundado por Alexandre Domingos Caetano e Francisco Moreira, em 1904, Cambará tem 107 anos. E de município, 87, desde 1924, criado em 16 de março e instalado em 21 de setembro. A cidade de 23,8 mil habitantes e localizado no Norte Pioneiro, tem histórias fabulosas, baseadas na prosperidade do café e na ferrovia que, a partir dali, atingiu a margem esquerda do rio Tibagi, abrindo também o Norte Novo à povoação.
A expressão ''dinheiro a rodo'' tem até uma versão local, contada por Orlando Varasquim: ''...a terra de Cambará era boa e diziam que aqui se catava dinheiro a rodo, por causa do rodo que se usava no café, então a minha família veio para cá''.
É um dos depoimentos espontâneos, sem retoques, no livro ''De Alambari a Cambará'', escrito por professores e alunos do Colégio Nossa Senhora das Graças sob coordenação da irmã Alba Leandro Pugas, editado em 2002, após um ano de buscas. Na apresentação, os autores observam que há omissões, mas o livro foi apenas ''o primeiro passo'' no sentido de um resgate maior. ''Que outros sigam esta pegada.'' Algo que já ocorre há algum tempo.
Ovanir dos Anjos está preservando imagens da cidade e sua gente, desde os primórdios. Já são mais de mil fotografias, das quais aproximadamente 20% arquivadas em computador, calcula.
''Comecei com fotos da minha família e a coisa cresceu'', diz Ovanir, um dos seis irmãos cambaraenses filhos de Vitalina Rosa e Adelino dos Anjos; os pais chegaram à cidade entre 1932 e 1935, procedentes de Jaboticabal (SP). Sua iniciativa, com as fotografias, despertou o interesse de mais pessoas, que passaram a contribuir para o arquivo, com o qual pretende fazer um blog na internet. Considera-se estimulado, também, pelo que faz em Jacarezinho o advogado Celso Rossi, que já recebeu mais de três mil fotos.
A evolução urbana, o reencontro do ''pracinha'' Francisco Frâncica com a mãe, ao retornar do front na Itália; e o célebre interventor Manoel Ribas ao lado do prefeito Alceu Marques Ladeira são imagens indicando a variedade do acervo em Cambará, que tem servido a exposições. Conforme Ovanir, se amanhã houver uma instituição ou outro interessado com melhores condições de cuidar do acervo, não terá dúvidas em transferi-lo. ''As fotografias não são minhas, estão comigo'', afirma.


