Começam hoje as festividades em Primeiro de Maio, cidade de 10.832 habitantes a 60 km de Londrina. Serão quatro dias de comemorações por conta do aniversário de seis décadas do município que tem o nome do feriado do dia trabalhador. O feriado, aliás, neste ano cai em um domingo, não permitindo um dia a mais de descanso a quem bate cartão de segunda a sábado.
Contudo, nada tem a ver o nome do município com o próprio dia do trabalho, instituído no Brasil em 1924, no governo de Artur Bernardes. Essa afirmação está no site do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e na memória de uma ilustre moradora da pequena cidade, Maria Anita Porto Ribeiro, 83 anos.
Morando na Rua 11 - em Primeiro de Maio as ruas são numeradas, com as ímpares no sentido Norte-Sul e as pares no sentido Leste-Oeste - que é paralela à principal, Rua 9, ela zela por um bosque de quase dois alqueires de mata nativa, conservada ao longo de oito décadas pela família.
Maria Anita é filha de José Correia Porto de Abreu, homem ''de espírito bandeirante'', como ela diz, que no começo da década de 1920 deixou São Paulo para cruzar o Rio Paranapanema, pretendendo formar uma cidade no Paraná, junto de outros desbravadores. Inicialmente, um povoado fora formado nas proximidades do rio. Porém, um surto de malária fez com que os moradores fossem transferidos para terras um pouco mais distantes das águas, justamente onde hoje está a cidade de ruas numeradas.
A história registrada pelo IBGE relata que o nome Primeiro de Maio foi dado ao lugar pelo seguinte fato: foi no primeiro dia do quinto mês do ano que os primeiros colonizadores começaram a trabalhar na construção da ''Colônia Primeiro de Maio''. ''Desde sempre o lugar se chamou Primeiro de Maio'', ratifica Maria Anita, que nasceu em terras paulistas mas com menos de um ano de idade já estava no Paraná.
Em dezembro de 1936 a colônia virou ''Distrito Judiciário'' e José Correia Porto de Abreu o primeiro tabelião. A mãe de Maria Anita, dona Ana Ferreira Góis, tinha formação de farmacêutica, mas na falta de professoras foi a primeira a lecionar para as crianças. A nossa personagem também foi professora, casando-se com Waldemar Ribeiro de Oliveira, morto recentemente. Já depois de avó, Maria Anita formou-se também advogada pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).
Em novembro de 1951 Primeiro de Maio desmembrou-se de Sertanópolis, mas o aniversário para sempre seria comemorado no dia do trabalho.
Adiantando na história, chegamos à década de 1970, quando foi construída a Represa da Usina Hidrelétrica de Capivara, entre Porecatu (PR) e Taciba (SP), fazendo as águas do Paranapanema chegarem à cidade que um dia havia se afastado delas. Milhares de alqueires de terras do município foram inundados, provocando um certo êxodo na zona rural que se estendeu à área urbana. ''Quando começou o alagamento, a terra tremia constantemente. Muita gente se assustou e foi embora, vendendo as casas por preço de banana'', comenta.
De fato, a terra tremeu, como comprovou reportagem da FOLHA publicada em 6 de maio de 2010. Técnicos do Observatório de Sismologia da Universidade de Brasília, confirmaram que, em 1979, abalos sísmicos de 3,7 graus na escala Richter foram registrados no município. Há exatamente um ano, também às vésperas das festas de aniversário, o mesmo Observatório de Sismologia registrou tremores, sentidos por moradores de alguns bairros. O reservatório da usina deve ser a causa dos tremores, que, sempre de baixa intensidade, não provocam danos. Aliás, as terras às margens da represa estão altamente valorizadas.
Neste ano, o padre Manoel Idalgo, que organiza os festejos de aniversário, promete que vai haver tremores de terra por ali, mas causada pelos touros do rodeio que acontece de sexta a domingo na arena do Terminal Turístico Paranatur. Ainda bem.
Para finalizar, ficam as palavras de Maria Anita: ''Primeiro de Maio, para mim, significa as lembranças do passado, a vida presente e onde sonho meu futuro, pois vivo sonhando apesar dos meus 83 anos.''

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