Alvorada do Sul, com seus 10.298 habitantes, aos poucos vai ganhando espaço no cenário turístico do Norte do Paraná. Banhada pelo reservatório da Usina Hidrelétrica de Capivara, a cidade tem se destacado pelos condomínios de chácaras que estão se consolidando às margens do grande espelho de água formado pelo represamento do Rio Paranapanema.
Nos finais de semana e feriadões prolongados, como o que começa hoje, centenas de turistas se instalam em Alvorada, que fica a 60 km de Londrina. Em relação aos visitantes, trata-se de gente que um dia morou no Interior e tem saudade do contato com a terra; de pessoas que só querem passar horas agradáveis na companhia de um bom churrasco e, principalmente, muitos interessados em aproveitar dos momentos de lazer proporcionados pelas águas, notadamente os pescadores. Não é por acaso que, logo na entrada da cidade, um enorme pescador de concreto recebe seus pares.
O nosso personagem de hoje é também um bom pescador, homem que não se furta de aproveitar de algumas das horas vagas para tentar fisgar um bom peixe. Mas ele tem outros talentos.
Nascido na vizinha Porecatu, Manoel José Rodrigues, 49 anos, escolheu Alvorada para morar depois de passar também por Londrina, onde residiu quando era ainda menino, com os pais e seus 11 irmãos.
Da casa onde hoje mora sozinho, ao lado da matriz de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, ouvindo o badalar do sino a cada meia hora, ele escreve em ritmo contínuo. Auxiliar administrativo na agência dos Correios, o homem não sabe dizer como surgiu o gosto pela literatura, só sabe que é apaixonado por ler e escrever desde sempre. Já tem três romances prontos, com personagens inspirados em homens e mulheres que encontrou nas suas andanças pela região. Os dois últimos, ''Descendo da Cruz'' e ''A vida não vem com prazo de validade'' já estão até registrados na Biblioteca Nacional. Agora, aguarda o retorno de alguma editora que se interesse pelas suas obras.
Porém, nem só para a literatura são destinadas as letras de Manoel. Por meio da seção de cartas da FOLHA, ele expressa suas ideias e opiniões, tendo o capricho de guardar um exemplar do jornal a cada vez que uma de suas cartas é publicada. A coleção já anda correndo escolas de Alvorada do Sul, sendo apresentada aos alunos pelos professores e deve merecer até exposição no Museu Municipal de Porecatu no próximo mês.
''Fico feliz quando a FOLHA publica meus textos, pois trata-se de um jornal de grande isenção e credibilidade. A coletânea de textos que mandei para as escolas com a intensão de que seja apresentada aos jovens é um alerta para o senso crítico deles, que às vezes parecem inebriados com os realitys-shows, vivendo em função de outros, votando em outros e não dando um voto de confiança em si mesmo. Se os jovens não formarem suas opiniões não conseguirão transformar nem água com açúcar em garapa'', argumenta. ''Vejo pessoas que moram em um estado agrícola como o Paraná, recém-colonizado, nada sabem de seus antepassados, mas leem histórias acontecidas no Oriente Médio'', complementa o desabafo.
Nos livros de Manoel, podem ser encontradas frases como a seguinte: ''Se a gente rir ou chorar o mundo gira do mesmo lado, então é melhor rir, porque assim o mundo gira mais alegre.'' São ideias ácidas e, ao mesmo tempo, bem humoradas, de um homem simples que sonha com um mundo melhor.

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