EM ALGUM LUGAR DO PARANÁ
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quarta-feira, 13 de abril de 2011
Michelle Aligleri <br> Reportagem Local 
Da rodovia, nas proximidades de Jataizinho (Norte), é possível ver lá embaixo a casa de telhado vermelho e paredes amarelas. Nos fundos, uma estufa com cerca de quatro mil plantas que despertam curiosidade e admiração. As orquídeas de Vitor Paulo da Silva, 59 anos, são resultado de uma paixão que começou em 1994, quando visitou uma estufa em Piracicaba, interior de São Paulo.
''Fiquei impressionado, não imaginei que aquilo poderia existir'', lembrou. O bancário que está aposentado há três anos contou que iniciou o cultivo de forma modesta e foi se aperfeiçoando com a prática. Prova disso foi a sua participação na fundação do Círculo Norte Paranaense de Orquidofilia, em 2005.
Silva revelou que no começo tinha um sonho: ''queria ter todos os dias uma orquídea florida em casa''. A coleção cresceu tanto que diariamente há plantas floridas, florindo, secando, brotando, crescendo... ''Todos os dias tem novidade no orquidário, sempre tem alguma coisa acontecendo. Tenho uma sensação enorme de gratidão com a natureza por isso'', disse.
Entre orquídeas de tantas espécies, ele afirma que busca sempre melhorar o plantel. Exemplo disso é a planta Gastrochilus japonicus, considerada uma raridade, segundo ele, porque seu habitat natural são os pinheiros das florestas montanhosas do Japão e de Taiwan. A perfeição é tanta que as pequeninas flores brancas e amarelas parecem feitas de plástico. Vitor conta que a planta foi adquirida há três anos e de lá para cá a espera pela florada anual é sempre cheia de expectativas. ''Em uma exposição esta planta foi premiada porque é muito exótica, chama a atenção mesmo dos colecionadores mais experientes'', descreveu.
Para ele a relação com as plantas ensina a ser paciente e tolerante. ''Temos uma certa proximidade, fico triste quando alguma aborta a florada ou quando quebro um broto sem querer. Existe uma troca de energia'', disse. Silva afirma que cuidar das plantas é uma terapia. ''Quando coloco o pé dentro do orquidário e fecho a porta, todos os meus problemas ficam do lado de fora. Deixo as contas, o imposto de renda, as dores de cabeça para lá.''
Silva afirmou que quando olha ao redor vê a realização de um sonho. ''Um dia eu desejei tudo isso. Tive uma infância humilde, morávamos no sítio. Eu sempre quis voltar para o mato. Assim que me aposentei, comprei esta chácara'', disse. A vontade de viver mais próximo à natureza era tanta que a planta da casa estava pronta há 15 anos. Mas, segundo ele, antes de comprar qualquer tijolo os esforços foram voltados para a construção de uma estufa que abrigou as orquídeas que estavam em outro local.
As orquídeas ganharam espaço na vida de Vitor e a mulher Cristiana o ajuda a cuidar das plantas. Atualmente são duas estufas cheias das mais variadas espécies de orquídeas, mas os sonhos continuam. ''Tenho um espaço reservado onde pretendo construir mais uma estufa, é uma questão de tempo, em breve precisarei de mais orquídeas para ocupar as novas prateleiras'', brincou.


