Na década de 1940, o ucraniano João Chmereha adquiriu uma grande porção de terras no Norte do Paraná, a 25 km de Maringá. Empreendedor do ramo imobiliário, planejou uma grande cidade, de avenidas largas, arborizadas, abastecida por amplo comércio.
Batizou-a com nome de povo indígena: ''Tupinambá''. Fez panfletos de propaganda e publicou comerciais em jornais de várias cidades, especialmente as catarinenses e gaúchas, usando o slogan ''Em Tupinambá, lote comprado, dinheiro dobrado.'' Em 12 meses de campanha, entre 1948 e 1949, vendeu boa parte dos 1.206 lotes distribuídos em 81 quadras. Estava ali o embrião de uma próspera cidade, embalada pelo entusiasmo da produção cafeeira da região.
Muitas famílias de descendentes de alemães, oriundas de terras gaúchas, apostaram no projeto de Chmereha. Mas Tupinambá não prosperou, sofrendo os efeitos do êxodo rural que ocorreu com o declínio do café e da pavimentação da PR-218, que parte de Arapongas, passa por Sabáudia e Astorga, e chega a Iguaraçu, desviando de Tupinambá, que acabou se tornando distrito de Astorga; não chegando a ser uma grande cidade, ''do tamanho de Maringá'', cujos prédios podem ser avistados ao longe, como idealizou o ucraniano imobiliarista.
Porém, se o lugarejo não se tornou cidade, diversas famílias que o escolheram para morar encontraram ali uma vida agradável. É o caso dos Stoppock, que deixaram o Rio Grande do Sul para fazer a vida em terras norte-paranaenses.
Na Avenida Maringá, a principal - e única - de Tupinambá, Wendolino Stoppock, 56 anos, dono da simpática ''Oficina da Amizade'', atende desde os anos 1970, fabricando carroças, carroções, charretes e o que mais os fregueses encomendarem. É ferreiro, marceneiro, carpinteiro, e um ''cara feliz'', casado com dona Ilda há 33 anos e pai de Adriana e Viviane.
Ainda conservando o sotaque ''gaúcho6-germânico'', Wendolino, ou ''Bubi'' - é assim que todos o chamam - conta que recebe muitas encomendas de charretes e carroças, hoje utilizadas principalmente por propriedades da região que trabalham com o turismo rural.
Afamado por conta do serviço minucioso e caprichado, não tem horas vagas, passando quase o dia todo lidando com martelo, bigorna e outras ferramentas. Desembarcando no distrito, encontramos Bubi na beira do fogo, fazendo o trabalho de um autêntico ferreiro. ''Fazemos só o que sabemos fazer'', ele responde quando questionado de onde vem o talento para fazer peças tão bonitas. ''Observo muito, vejo os filmes de faroeste, as diligências que aparecem neles. Gravo tudo na mente. Também ando com uma máquina fotográfica, retrato o que vejo que tem formas interessantes'', revela em seguida, sem deixar de registrar que o assistente Adenício, o ''japonês'', também tem méritos nas criações.
Da oficina de Stoppock, vê-se toda a extensão da avenida do distrito de Tupinambá, que tem 1,5 mil habitantes, como estima o vereador Décio Magri, morador dali. A pavimentação de paralelepípedo, as construções de madeira e a receptividade dos moradores tornam a visita agradável. Impossível regressar para o movimento da cidade sem registrar o que está estampado em uma das plaquinhas nas paredes de madeira da Oficina da Amizade: ''Troque sua tristeza por um sorriso.''
Há quem diga que é uma pena Tupinambá não ter crescido como o fundador planejou. Será mesmo?

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