Ribeirão Claro é uma das cidades mais interessantes do Paraná. Fundada há mais de 100 anos, tem charme de cidade histórica, guardando nas fachadas traços do início da colonização do Norte Pioneiro do Estado. Esses traços também estão na histórica ponte pênsil Alves Lima, sobre o Rio Paranapanema, que finalmente está em processo de restauração.
Não bastasse a rica saga, a natureza e a mão do homem também foram generosas com o município. Entre Ribeirão Claro e Chavantes (SP) está a barragem da hidrelétrica que leva o nome do município paulista. O reservatório da usina, entre as montanhas de Ribeirão Claro, forma um visual de encher os olhos. Lugar bom para pescar, praticar esportes náuticos e se refrescar nestes dias quentes de verão. Condomínios de lazer e resorts surgiram nos últimos anos às margens da represa, atraindo turistas.
Entre os 10.690 habitantes que o município tem, de acordo com o último censo do IBGE, está um garoto que chama a atenção pela criatividade. Foi por meio de uma carta enviada à FOLHA, na qual ele apresentava um de seus textos, de boa escrita, que o descobrimos e resolvemos conhecê-lo pessoalmente. Marcos Vinícius de Moraes tem 16 anos. Este ano começa a cursar o terceiro ano do Ensino Médio. É de família simples. O pai, Marcos Antônio, toca um bar na Rodoviária de Ribeirão Claro. A mãe, Gilvani, é dona de casa. Completa a família uma simpática menina, Larissa, 9 anos.
A primeira pergunta para o garoto é sobre o seu gosto pela leitura e por escrever. Como começou, como é cultivado? Mas ele surpreende. Mostra que é também músico. Canta, toca violão e guitarra, compõe, com a maioria das letras em inglês, língua que ele estuda em casa, sozinho, aprimorando para chegar à fluência.
Não bastasse, o rapaz, de jeito tímido, fala tranquila, mostra que também é craque na frente do computador. Cria jogos, faz trabalhos de designer, edita vídeos. Um deles, com captação de imagens com uma simples máquina fotográfica digital e edição no computador de Marcos Vinicius, que carece de programas mais avançados e não acessa a internet, ficou um brinco, apesar das limitações técnicas.
O vídeo fala sobre a água e foi feito junto da meninada da Escola Rural João Teodoro da Silva, do Patrimônio de Três Corações. As crianças tomaram os papéis de apresentadores e repórteres. Marcos Vinicius editou e cuidou dos recursos gráficos. Inscreveram no ''Agrinho''. Ficou entre os 15 mais bem colocados entre 800 projetos do Paraná todo.
De onde vem tanta criatividade, rapaz? Ele não sabe explicar ao certo, mas aposta na leitura como fonte para suas criações. ''Adoro ler. A FOLHA eu leio todos os dias, principalmente a parte de opinião e o caderno Cidades. Minha vida é voltada para a criação. A informação me ajuda a criar'', ressalta.
Ele só reclama da falta de oportunidades comum a uma cidade pequena. Gostaria, por exemplo, de poder mostrar mais sua música, sua arte. Porém não desanima. O negócio é seguir criando. ''A arte tem que ser utilizada em todos os lugares. Creio que, por meio dela nós, estudantes, temos que nos manifestar. Aqui em Ribeirão Claro há diversos jovens com talento para muitas coisas, mas que às vezes desistem. Eu não quero desistir'', comenta.
Planos para o futuro ele ainda não tem bem definidos. Pensa em trabalhar com programação, utilizando-se também da música. O sonho mais próximo é comprar uma guitarra e finalmente devolver a que emprestou de um amigo. Já na despedida, o garoto pede para, já que tem a chance, mandar uma mensagem pelas páginas de seu jornal preferido. ''Gostaria de pedir às pessoas que compreendam umas às outras. Fico triste quando vejo que há falta de compreensão.''. Recado dado.
Ah! Estava faltando dizer que Marcos Vinicius também é enxadrista. Já conquistou uma medalha de ouro e duas de prata nas três últimas edições dos Jogos Colegiais do Paraná (Jocops).

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