Em 63 e 75, os piores incêndios
Nelson Capucho
Primeiro foi a morte branca. Depois, o inferno.
A geada já havia desferido golpe decisivo contra a cafeicultura no Paraná. Em seguida vieram terríveis incêndios, consumindo outras lavouras e as pastagens. Multiplicaram-se os prejuízos.
Três mil alqueires já queimaram em Umuarama, dizia a manchete da Folha de Londrina no dia 1º de agosto de 1975. O Noroeste era a região mais castigada, mas o problema se espalhara por praticamente todo o Estado. Em Curitiba, bombeiros atendiam diariamente 13 ocorrências de focos de incêndio na zona rural.
O comandante do Corpo de Bombeiros do Paraná, coronel Altevir Lopes, deixou a capital e foi a Umuarama acompanhar o trabalho de combate ao fogo. Depois sobrevoou de helicóptero as regiões de Londrina, Jacarezinho e a Serra do Mar. Não vejo possibilidade de se repetir o desastre de 1963, comentou o coronel.
Os estragos em 1975 foram significativos. Mas quando o assunto é incêndio no campo, 1963 é lembrado pelos agricultores mais antigos como o pior ano de todos. Fogo nas zonas rurais. Êxodo em massa de gente e animais, destacava a Folha em agosto daquele ano. No início, os danos foram maiores em Londrina, Astorga, Cianorte, Maringá, Umuarama, São Jerônimo da Serra, Sabáudia, Apucarana, Ivaiporã e Ortigueira.
Além de matas e lavouras, o fogo consumiu pontes de madeira como a do Rio Pirapó, de 50 metros , matou animais e provocou miséria. Famílias de lavradores, desesperadas com a longa seca e os incêndios, organizavam procissões e cultos religiosos para pedir chuva. Vários municípios decretaram estado de calamidade pública.
No balanço final, cerca de 1/3 da área agrícola do Estado havia sido atingido pelo fogo.





