A vida de Gerdt Hatschbach é dedicação exclusiva à Botânica. Com 75 anos completados ontem - e 55 de pesquisa -, o curitibano descendente de germânicos tem 70 mil plantas coletadas - recorde entre os botânicos atuais. Hatschbach descobriu 500 novas espécies. Mais de cem receberam nomes dedicados a ele por profissionais brasileiros e estrangeiros.
Em homenagem ao trabalho e aniversário do pesquisador, o Museu Botânico está com a exposição ‘‘55 anos de Botânica’’ até o dia 30. A mostra apresenta o trabalho do Museu, do qual Hatschbach é criador e curador, e exemplares de plantas antigas, curiosas e algumas inscritas como novas para a Ciência.
A Senecio gertii, da mesma família da carqueja, é uma das espécies que receberam nomes em homenagem ao botânico. A planta foi encontrada em Gouveia (MG), há 20 anos. ‘‘Quando estive em Minas este ano, encontrei-a novamente. Ninguém mais conseguiu coletá-la’’, conta Hatschbach. Outra espécie rara e que faz referência ao botânico é a orquídea saprófita (que vive em detritos vegetais) Cleistes gert-hatschbachiana. A espécie foi coletada há 35 anos, em Tijucas do Sul e ‘‘nunca mais foi encontrada’’, segundo o pesquisador.
Há 15 anos, Hatschbach faz quatro grandes viagens por ano - sempre pelo Brasil. Já viajou praticamento por todo o País. Ao exterior, não vai. ‘‘Não consigo dar conta de coletar nem o que tem por aqui’’, diz. ‘‘Recebo convites para ir a outros países, mas prefiro ficar trabalhando no Brasil. A gente se entusiasma e quer achar cada vez mais espécies’’, completa.
Hatschbach viaja principalmente pelo Sul do Brasil, mas gosta de visitar outros Estados, como Minas Gerais, Bahia, Goiás, Tocantis e Mato Grosso. Este ano, já fez duas excursões - para o Norte de Minas Gerais e o Sudoeste da Bahia. O resultado foi a coleta de 800 espécies diferentes de plantas. No total, cinco mil exemplares. A próxima deve acontecer até novembro e será para a Serra do Cachimbo, divisa entre o Mato Grosso e o Pará. ‘‘Existem várias espécies que só existem naquela região’’, explica.
As viagens duram de 20 a 25 dias, mas a organização do material recolhido pode levar até quatro meses. Um exemplar fica para o Museu Botânico e os outros são permutados. O Museu Botânico faz intercâmbio com 50 instituições brasileiras e estrangeiras. Todos os meses, cerca de 500 exemplares são enviados aos herbários.
Pequenas expedições, de dois ou três dias, também ocorrem durante o ano. Por mês, Hatschbach e sua equipe coletam uma média de 600 espécies. Na primavera e no verão, os resultados são melhores porque as espécies geralmente
tem fruto e flor para a coleta.

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