Em 5 meses, vários casos de agressão
Em 5 meses, vários casos de agressão
Nos últimos cinco meses, a Folha registrou diversos casos de agressão e violência envolvendo policiais militares, em serviço ou não. O mais grave foi o último episódio, ocorrido no dia 7 deste mês, quando o cobrador Arnaldo Alves dos Santos, 38 anos, morreu depois de receber três tiros disparados pelo policial militar Reginaldo Fortunato, do 5º Batalhão da Polícia Militar, durante uma festa no distrito de Paiquerê (zona sul de Londrina). O policial confessou ser o autor dos disparos que mataram o cobrador e que também feriram o irmão deste e mais um policial à paisana. Na fuga, duas outras pessoas foram atropeladas e feridas gravemente. Fortunato, que estava à paisana, alegou legítima defesa. A arma, uma semi-automática 380, era de uso particular.
No dia 21 de janeiro, três pessoas, entre elas um menor, teriam sido agredidas por um cabo do 5º BPM, no Jardim Antares (zona leste de Londrina). A cabeleireira Andréa Cristina de Abreu, de 20 anos, e J.A, de 17 anos, duas das três vítimas da agressão (a terceira vítima preferiu não se identificar, com medo de sofrer ameaças por parte do PM) registraram queixa. A agressão teria ocorrido na madrugada, quando os três se encontravam em frente da casa da cabeleireira, em um terreno baldio, conversando em volta de uma fogueira. O cabo, em seu dia de folga, estava sem a farda e passava pelo local de carro. O policial teria ordenado aos três que apagassem a fogueira e fossem embora, alegando que estavam incomodando a vizinhança. Como não foi obedecido, agrediu os três.
Em meados de dezembro, o técnico em telecomunicações Rogério Moreno da Silva, 22 anos, também registrou queixa de arbitrariedade e agressões físicas contra um soldado do 5º BPM. Segundo a vítima, a violência contra ele foi gratuita, já que estava numa praça próxima a sua casa, no Jardim Sabará (zona oeste) assistindo a um jogo de futebol. Os policiais teriam chegado dando tapas no rosto e chutes nas pernas. Logo depois, o detiveram novamente e o espancaram. Vizinhos e familiares teriam tentado impedir e os policiais disparam vários tiros, sem ferir ninguém.
No dia 6 de dezembro, um protesto pacífico virou praça de guerra. A violência foi cometida por policiais da Tropa de Choque e da Ronda Ostensiva de Natureza Especial (Rone) contra moradores da Vila Yara (zona leste), que protestavam por mais segurança e contra o atropelamento do estudante Diego Bueno, 13 anos, ocorrido na noite de domingo, dia 5, na BR-369 (Avenida Brasília). A ação violenta da PM resultou em 18 pessoas presas e várias feridas, incluindo três repórteres, feridos por balas de borracha e golpes de cassetetes.
Policiais militares da Rone também foram acusados de terem espancado, na noite do dia 16 de novembro, a estudante F.O.S., 17 anos. A adolescente teria sido algemada e agredida por dois sargentos, após reclamar da velocidade desenvolvida por uma viatura da Rone, quando ela estava indo para casa, no Jardim Paraíso (zona norte), com duas amigas, após o término das aulas noturnas na Escola Estadual Professora Behair Edna Mendonça, no mesmo bairro.
Em outrubro, duas outras ocorrências. O vendedor autônomo Marcos da Silva, 23 anos, denunciou na Delegacia de Cambé e no 5º BPM que foi agredido, algemado e teve o nariz quebrado por um soldado à paisana. Segundo a vítima, a agressão teria ocorrido na Festa das Nações, em Cambé (13 km a oeste de Londrina), depois de tropeçar em um homem à paisana. Depois de uma troca de insultos, o vendedor foi derrubado no chão, algemado e recebeu socos e pontapés que mais tarde foi identificado como policial militar.
No dia 16 de outubro, outra equipe da Rone se envolveu em um episódio de violência em Cambé, no Jardim Novo Bandeirantes. Após o arrombamento seguido de furto em um supermercado, a ação de quatro policiais da Rone terminou em confronto entre a PM e moradores. A equipe da Rone chegou a utilizar balas antimotim (feitas de polipropileno, produzem forte barulho quando disparadas e estouram espalhando pequenas bolinhas), granadas de efeito moral e bomba de gás lacrimogêneo para controlar a situação. (T.E.)
Leia amanhã depoimento de ex-policial relatando o estresse do dia-a-dia e a falta de estrutura na corporação.





