Em cerca de 40 dias, pelo menos cinco casos de violência envolvendo a Polícia Militar – dois deles com morte e outros dois com feridos – foram registrados em Londrina e cidades da região. O Centro de Direitos Humanos (CDH) recebeu em março e abril seis denúncias de abuso de autoridade, quando a média é de apenas um por mês. Apesar disso, o comando da PM entende que não está havendo violência por parte de policiais.
O caso mais recente envolvendo policias militares aconteceu na madrugada de anteontem, quando o comerciante Nelson Felix de Melo, de 61 anos, foi morto pela PM em sua residência. Os policias estavam à procura do filho de Melo, conhecido por ‘‘Zumbão’’, acusado de tráfico de drogas. Segundo os familiares do comerciante, a polícia chegou à casa da vítima por volta das 5h30, já atirando.
O comandante do Grupo Águia, tenente Nelson Villa Júnior, disse que a ação dos policiais foi relizada simultaneamente em 11 casas da região leste da cidade e que estava sendo cumprido um mandado de busca e apreensão de armas e drogas. Segundo o tenente, a região vive uma ‘‘situação de guerra’’ promovida por duas quadrilhas que disputam o controle do tráfico.
A polícia, como afirma tenente Villa, sabia que o filho do comerciante não morava mais na casa, mas tinha informações de que o pai guardava armas a pedido de ‘‘Zumbão’’. De acordo com Villa, os cinco policiais envolvidos na invasão teriam revidado o tiro dado pelo comerciante quando se deparou com a PM. A família contesta e garante que Nelson Felix de Mello acordou com o barulho de tiros, saiu à porta e foi baleado. Mesmo ferido, ele ainda teria tentado telefonar para pedir ajuda policial, pensando que fossem ladrões.
Outro caso de violência policial aconteceu do dia 26 de março, quando o menor J.B., 14 anos, foi tratado como suspeito de assalto a banco, mas era refém do assaltante. Policiais militares perseguiam quatro homens que tinham assaltado uma agência do Banestado de Tamarana, quando um deles entrou na casa do menor no Jardim União da Vitória, zona sul de Londrina. A residência estava vazia. J.B. chegou e foi tomado como refém. Segundo a família, o garoto foi jogado no chão e recebeu chutes dos policiais.
Cerca de 10 dias depois, o menor Joni Otávio Torres, 15 anos, também foi baleado por policiais militares em Londrina e ficou paraplégico. O rapaz, morador do Jardim Maracanã, zona leste, foi retirado de casa como suspeito de assalto. Segundo os policiais, quando ele já estava na viatura sacou um revólver calibre 22 para o policial que dirigia a viatura descaracterizada. O outro policial disparou dois tiros contra o adolescente, que ficou paraplégico. Vizinhos que teriam presenciado a retirada do menor de sua casa garantem que ele não portava arma.
No dia 12 de abril, o estudante Waldemar Carvalho Filho, 19 anos, de Ibiporã (14 quilômetros a leste de Londrina), foi morto durante uma perseguição policial na PR 090. Poucos dias depois, o mototaxista Celso Ribeiro da Silva, 21 anos, de Cornélio Procópio, levou um tiro na boca disparado por um policial militar. A vítima teve várias fraturas na mandíbula, perdeu seis dentes e teve a língua aberta ao meio. Silva atendia a chamado de um passageiro suspeito de assaltos a supermercados, que estava sendo vigiado pela polícia nos arredores de sua casa.

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