Londrina - No ano passado, do dia 1º de janeiro até 1º de dezembro, foram testadas 1.947 pessoas, das quais 70 (3,6%) deram resultados positivos. Desse total foram testadas 1.289 pessoas do sexo masculino, das quais 48 casos foram positivos (3,72% do total), e 658 indivíduos do sexo feminino, dos quais 22 (3,34%) apresentaram resultados positivos.
No cálculo do acumulado entre 1985 e 2011, foram registrados em Londrina 2.232 casos positivos. Mas, de acordo com o Ministério da Saúde, calcula-se que para cada caso de aids diagnosticado existem cinco pessoas infectadas com o HIV que desconhecem essa condição. Por isso, a estimativa é de que haja 11.160 pessoas vivendo com o HIV na cidade e que desconhecem essa realidade.
De acordo com a gerente municipal de DST, Aids e Hepatites em Londrina, Hilda de Cassia Baptistotti, 30 das 59 unidades básicas de saúde do município oferecem o teste rápido, que permite que o paciente saiba se possui aids entre 15 e 30 minutos. O teste permite a detecção de hepatites B e C, HIV e sífilis. "O município é um dos pioneiros a descentralizar o teste utilizando a rede de unidades básicas de saúde", explicou.
Ela relembrou que Londrina registrou um dos primeiros casos de aids fora do eixo Rio-São Paulo. "Naquela época não havia alternativas de tratamentos eficazes. Vale ressaltar que até hoje a doença não tem cura e que ainda hoje o melhor meio de se prevenir é o uso de camisinha", alertou. O programa de controle da sida ou aids (hoje Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais) foi criado pelo então ministro da Saúde Carlos Corrêa de Menezes Sant’anna apenas no dia 2 de maio de 1985, diante do crescimento da doença no País. O primeiro caso brasileiro foi registrado em 1982.
Hilda destacou que desde que assumiu a gerência do serviço, em 2005, não há registros de transmissão de HIV de gestantes para seus filhos. "Além disso, nós não perdemos pacientes na maioria dos casos registrados. As exceções acontecem quando o paciente se recusa a realizar o tratamento. Isso acontece muito quando o paciente possui dependência química ou sofre de depressão", justificou.
A gerente alertou que antigamente existiam grupos de risco, mas hoje os perfis são múltiplos. "Antes as incidências em mulheres aconteciam na proporção de um caso em dez, mas hoje já está em um para um. Os idosos passaram a registrar mais casos devido ao uso de estimulantes sexuais, os casos entre jovens entre 15 e 29 anos também têm aumentado e as ocorrências entre homossexuais voltaram a subir. Hoje vivemos uma epidemia silenciosa. O problema é que muitos têm conhecimento sobre a doença, mas não se apropriam dele, acham que a aids não é real e não há perigo de se contagiarem", lamentou. Ela relatou que a última morte por problemas decorrentes da aids no município de que ela tem conhecimento aconteceu na última semana de dezembro.

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