Em maio do ano passado, auditoria nacional do Tribunal de Contas da União (TCU) encontrou indícios de fraudes e irregularidades (ver gráfico) em mais de 317 mil benefícios. No Paraná foram bloqueadas 18.577 bolsas, a metade delas em Londrina. Em junho deste ano, a FOLHA cruzou dados simples (nome de beneficiários com a lista telefônica) e identificou situações que, no mínimo, causam estranheza.
A reportagem filtrou sete nomes entre os primeiros 226 adultos da listagem de junho. Em pelo menos três casos fica a dúvida se o teto da renda familiar não ultrapassa R$ 140 per capita. Na Zona Sul, a titular do benefício de R$ 44 é manicure e o marido motorista. Ambos trabalham sem registro e declaram renda - não comprovada - entre dois e quatro salários mínimos (de R$ 1.020 a R$ 2.040). O casal tem duas crianças (6 e 12 anos), reside numa casa cedida por um familiar e possui automóvel. Na Zona Norte, outra titular vive com três filhos (1, 7 e 11 anos) em um condomínio horizontal de padrão simples mas com portão e porteiro eletrônicos e praça privativa. Outra beneficiária na Zona Sul reside em um amplo imóvel de esquina e com garagem.
Por mês, o Bolsa Família repassa mais de R$ 1,1 milhão a 14.549 famílias em Londrina. Nos últimos seis meses, a média de novas inclusões foi de 200 famílias e a de bloqueios chegou a cerca de 1,5 mil famílias. Segundo a gestora municipal do programa, a assistente social Adriana Santos, após o bloqueio, autoridades da saúde, assistência e educação atuam junto às famílias para solucionar tal situação.
Em 2009, Londrina teve cerca de nove mil benefícios bloqueados pelo TCU, que só no Paraná bloqueou mais de 18,5 mil bolsas. Um ''pente fino'' da Secretaria Municipal de Assistência Social excluiu da base do cadastro único 3.702 beneficiários (mais de 40% do total). Outros 4.581 beneficiários tiveram os repasses bloqueados por até seis meses e só voltaram a receber após terem seus cadastros revalidados.
O TCU considerou que o sistema que selecionava os beneficiários de programas sociais do governo federal tinha falhas de segurança, indícios de fraudes e deficiências na inclusão de dados sobre renda e patrimônio, na identificação do responsável legal pela família e no cálculo do valor do benefício. Os auditores do TCU encontraram indícios de irregularidades como beneficiários já falecidos, políticos eleitos e suplentes registrados no cadastro único, registros duplicados de beneficiários e cadastros de famílias em desconformidade com o critério de renda.

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