Em 18 mil cirurgias, um caso único
Se é rara a ausência congênita de pericárdio, como no caso de Probst, o que torna difícil o diagnóstico, que não apresenta sintomas, raríssima é a costatação do problema durante uma cirurgia de transplante, sendo que a do aposentado paranaense é a primeira a ser relatada na literatura médica.
Tendo realizado cerca de 18 mil cirurgias do coração - número suficiente para povoar uma cidade - Gregori lembra que a sua equipe nunca havia se deparado com situação semelhante à de Probst. ''A constatação de ausência de pericárdio durante uma cirurgia é zero'', afirma o cirurgião.
Depois do transplante, o paciente ficou deitado de lado por 20 dias para proporciar a aderência entre o coração, o pulmão esquerdo e o diafragma.
Via de regra, ao transplantar um coração a equipe cirúrgica retira o músculo doente do pericárdio. As artérias são cortadas, com um espaço de cerca de três centímetros para ligar o novo órgão.
A solução encontrada pelos cirurgiões para Probst foi retirar o coração do doador com a aorta inteira, incluindo o arco aórtico até a artéria subclávia esquerda.
Para aumentar o comprimento da artéria pulmonar, que se divide em duas, os médicos decidiram cortá-la, ligando-a. Com o pulmão esquerdo murcho, o coração foi apoiado no diafragma, que tem formato côncavo. Os músculos intercostais, que acabaram se desenvolvendo, assumiram a função de respiração do pulmão esquerdo. (F.L.)





