Em 10 anos, 40% dos professores do Estado estarão aposentados
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quinta-feira, 24 de outubro de 2013
Celso Felizardo<br>Reportagem Local 
Londrina - Estudo do Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública do Paraná (APP-Sindicato) aponta que 40% dos professores da rede estadual estarão aposentados nos próximos dez anos. O dado se torna alarmante se considerada a baixa procura por cursos de licenciatura. A situação é mais crítica nas áreas de ciências Exatas e Biológicas. Segundo dados do Censo da Educação Superior 2012, a procura por licenciaturas aumentou apenas 0,8% em um ano nas universidades brasileiras.
Enquanto as licenciaturas tiveram crescimento pequeno, no mesmo período, de 2011 a 2012, os cursos tecnológicos cresceram 8,5% e os de bacharelado, 4,6%. No Paraná, a Secretaria de Estado da Educação (Seed) emprega hoje 77,8 mil professores. Para atender toda a demanda de alunos, o Estado lança mão de contratações temporárias por meio do Processo Seletivo Simplificado (PSS). Do total, 50,7 mil são concursados e 27 mil temporários.
A presidente da APP-Sindicato, Marlei Fernandes de Carvalho, reconhece que houve esforços da Seed para preencher, nos últimos três anos, 25,6 mil vagas com professores e pedagogos aprovados pelo concurso público iniciado em 2007. No entanto, Marlei considera preocupante que 36% do quadro sejam preenchidos por professores temporários. "Sem dúvida tivemos avanço importante, mas temos que reduzir os contratos temporários", cobra.
Se para a Seed o processo simplificado é uma forma eficaz de suprir a carência temporária de professores, para especialistas em educação o sistema é precário e prejudicial. A professora do Núcleo de Pesquisa e Políticas Educacionais da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Andréa Barbosa Gouveia, destaca que nos últimos 10 anos o governo estadual tem mantido cerca de 30% do quadro com professores temporários. "Não é possível que o número de licenças e outros afastamentos tenham se mantido igual por uma década. É possível perceber uma estratégia de economia do governo, pois os contratados pelo PSS recebem salário-base, sem vínculo estatutário."
Para o sindicato, o ideal seria a contratação efetiva de pelo menos mais 20 mil professores. "O professor do PSS muitas vezes leciona em quatro escolas, não cria vínculos. Isto é ruim para ele e, por conseguinte, para a qualidade da educação", alerta a entidade. Andréa também avalia como negativa falta de continuidade do trabalho do professor, que "é demitido após um ano ou dois anos". "O professor tem que se envolver com a escola, traçar planos e metas de médio e longo prazos para elevar a qualidade do ensino, o que não ocorre neste caso", alfineta.
Para Andréa Gouveia, a valorização do professor é a única maneira de atrair os jovens para a docência. "Quem vai prestar vestibular conhece de perto a realidade do professor, portanto não adianta apenas fazer campanhas publicitárias. É necessário oferecer melhores condições", expôs Andréa. "O Estado terá que encontrar maneiras de tornar a carreira atrativa, senão teremos um colapso nos próximos anos", completa.
Outro ponto reivindicado é a melhoria da qualidade do acompanhamento médico e psicológico dos professores. "Hoje os adoecimentos e exonerações são frequentes . Os jovens não aguentam a pressão e, atraídos por outras carreiras com melhores perspectivas, abandonam as salas de aula", lamenta.
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