Elza Correia tenta convencer Belinati
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sábado, 27 de dezembro de 1997
Adriana De Cunto 
Londrina
Arquivo FolhaPéssimo presenteElza Correia: mulheres perdem com a aprovação, pouco antes do Natal, da mudança de coordenadoria para secretariaO governo municipal deu um péssimo presente de Natal para as mulheres pobres de Londrina. A avaliação, da vereadora Elza Correia (sem partido), é para a aprovação, na terça-feira, da transformação da Coordenadoria Especial da Mulher em Secretaria Especial da Mulher, como parte do projeto da reforma administrativa. Elza é a única representante feminina da Câmara de Londrina e a primeira chefe da Coordenadoria, criada há cinco anos na administração do ex-prefeito Luiz Eduardo Cheida (PT).
A vereadora está solicitando uma audiência com o prefeito Antonio Belinati (PDT) para tentar convencê-lo a não sancionar a parte da reforma que diz respeito às mudanças previstas para a Coordenadoria Especial da Mulher. A principal queixa da vereadora e da atual coordenadora, Cleide Camargo, é sobre restrições que a mudança impõe na atuação do órgão, no atendimento específico de mulheres vítimas de violência física.
A transformação acaba também com alguns cargos comissionados de técnicos que desempenham trabalhos preventivos junto à comunidade através de oficinas, palestras e atendimentos a familiares das mulheres que sofrem violência física, entre outras ações.
Elza relata que apresentou uma emenda ao projeto apresentado pelo governo municipal para evitar a extinção dos serviços. Segundo ela, tratava-se de um meio-termo entre as propostas criadas pela Secretaria Geral (responsável pela reforma administrativa) e pela Coordenadoria Especial da Mulher.
A vereadora explica que o projeto do governo - que foi aprovado - se resume a criação de uma secretaria com uma diretoria de atendimento à mulher em situação de violência e duas gerências, uma para apoio à mulher e outra para ação formativa.
Segundo Elza, a proposta da Coordenadoria da Mulher era a formação de duas diretorias e quatro gerências. Com a emenda apresentada pela vereadora, a Secretaria Especial da Mulher teria uma diretoria de atendimento integrado à mulher e três gerências: de apoio a mulher que sofreu violência, de atuação preventiva (incluindo todas as oficinas) e uma gerência de apoio às políticas públicas, que trabalharia visando as questões de gênero (diferenças no papel do homem e da mulher na sociedade).
A vereadora critica o fato do bloco governista da Câmara ter votado o projeto apresentado pelo secretário Geral, Gino Azzolini Neto, sem debater a emenda que ela apresentou. Eles (os vereadores governistas) prejudicaram as mulheres que são a maioria da população e a maioria dos eleitores, dispara.
Para Elza, o custo da prefeitura com a Coordenadoria da Mulher é baixo em relação ao benefício que a entidade traz. A maioria dos projetos são mantidos com dinheiro do governo do Estado e outras organizações, frisa. A Coordenadoria da Mulher só da bônus político. Esta limitação é um retrocesso incompreensível, inaceitável. É uma briga de forças entre o secretário Gino (Gino Azzolini, secretário geral) e a professora Cleide (Cleide Camargo). Há problemas entre os dois e quem está sendo punida é a população, acredita a vereadora.
Os técnicos do CAM (Centro de Atendimento à Mulher) foram capacitados ao longo destes cinco anos. A gente lutou para enviar estes técnicos para capacitação fora de Londrina e agora os perde de forma abrupta, critica.
O trabalho desenvolvido pela Coordenadoria Especial da Mulher está sendo destacado no livro Democratização dos Poderes Municipais e a Questão de Gênero, lançado este mês pelo Instituto Brasileiro de Administração Municipal (IBAM) e que será distribuído para prefeitos, secretários de planejamento e presidentes de Câmaras de Vereadores das cidades brasileiras com mais de 50 mil habitantes.
A vereadora lembra que várias entidades enviaram cartas ao prefeito Antonio Belinati pedindo que não fosse limitada a atuação da Coordenadoria, entre elas a Promotoria Pública. O socorro à mulher vítima de violência é importante. Só que é mais importante o trabalho que atinge a origem do problema. Você não promove cidadania só apagando incêndios.


