Imagine um leigo diante de uma pessoa que está sofrendo uma parada cardíaca. A diferença entre salvar ou não uma vida não é questão de sorte. Mas de conhecimento. Isso é o que defende o cardiologista Manoel Fernandes Canesin, de Londrina, e o que será apresentado durante o 9º Congresso Sul-Brasileiro de Cardiologia, que acontece na cidade de 20 a 22 de abril.
Durante o evento será apresentado o novo consenso mundial para o suporte básico de vida, que é a conduta a ser adotada em caso de parada cardiorrespiratória. Ontem, um grupo de jornalistas da cidade e de estudantes de medicina participou do primeiro curso para leigos com a nova conduta. Canesin explicou que ela foi mudada pela American Heart Association, depois que dezenas de pesquisas apontaram que as compressões são mais importantes para salvar vidas.
Salvar ou não o paciente depende da execução dos chamados ''quatro elos'': o primeiro identificar o ataque cardíaco ou a parada e chamar socorro; o segundo, iniciar a ventilação e a massagem cardíaca; o terceiro, usar o desfibrilador para dar o choque e fazer com que o coração retome seu ritmo normal, e por fim, que o paciente tenha atendimento médico. ''É uma cadeia de sobrevivência, cujos dois ou mesmo os três primeiros elos dependem exclusivamente do leigo. É esse atendimento que vai selar o destino do paciente'', apontou o cardiologista.
Um ataque cardíaco é causado pela obstrução de vasos do coração, impedindo o bombeamento de sangue no próprio órgão e no cérebro, levando a pessoa à morte. Ele pode ser identificado principalmente com uma dor ou pressão no peito, falta de ar, tontura, e sudorese intensa. Quando há parada cardíaca, em cerca de 50% dos casos de infarto, o coração normalmente começa a fibrilar (tremer), um movimento que impede que o sangue seja bombeado com eficácia. Sem oxigênio no cérebro, a pessoa perde a consciência.
Nessa hora, o leigo precisa identificar se a pessoa está respirando e chamar socorro imediatamente, lembrando que o número do Samu é 192. ''Mesmo que ela perca alguns segundos, é preciso chamar ajuda, e esse é o momento'', reforçou a fisioterapeuta Ivanil Aparecida Moro Kauss, uma das instrutoras em suporte básico de vida.
O primeiro passo do atendimento é identificar se o paciente está ou não respirando. Se ele não está, são feitas duas ventilações, com a cabeça do paciente inclinada para trás e com seu nariz fechado. Daí começam as compressões no meio do peito, feita com as duas mãos. E é aqui que está a grande mudança no procedimento - o número de massagens cardíacas aumentou de 15 para 30.
Depois de cinco ciclos, ou aproximadamente dois minutos, de duas ventilações para 30 compressões, é a hora de usar o desfibrilador. Colocado sobre o peito do paciente, o próprio aparelho avisa da necessidade ou não de dar o choque - um só, ao invés de três. Se não houver desfibrilador, é preciso continuar a massagem cardíaca. As compressões, explica o médico, são fundamentais para manter o fluxo de sangue para o cérebro e para o próprio coração.
Canesin ressaltou que de 400 mil a 600 mil pessoas no Brasil sofrem de ataque cardíaco por ano, 200 mil destas paradas cardiorrespiratórias. A doença é uma das primeiras causas de morte no país. Ele ressaltou ainda que o atendimento através dos elos pode aumentar as chances de sobrevivência em 40% a 60% dos casos.
Londrina foi a primeira cidade do país que aprovou uma lei para que locais públicos disponibilizem desfibriladores e pessoas treinadas para usá-lo. Na cidade, o aparelho está disponível em alguns locais, como a Câmara de Vereadores, o Terminal Urbano e o aeroporto.

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