Curitiba - Na página de relacionamentos do estudante de teatro Maicon Silvério da Silva, 18 anos, três fotos da irmã Lucinéia estampam o álbum de imagens. Na legenda ele escreve: ''minha irmã. Quero conhecê-la. Hei de encontrar''. A jovem sumiu no dia 20 de abril de 1992. Ela estava em casa quando saiu para visitar duas vizinhas. Nessa época, Maicon tinha 2 anos e Lucinéia, 5.
Ele não lembra do tempo que passou ao lado da irmã. Apenas recorda do movimento de jornalistas e câmeras que se reuniram na casa onde mora, em Araucária (Região Metropolitana de Curitiba), na semana do desaparecimento. Naquele dia, a mãe deles, Milta Silvério da Silva, hoje com 53 anos, foi ao banco e deixou os seis filhos em casa. A mais velha tinha 16. O marido estava no trabalho. Quando voltou, queria saber se Lucinéia havia almoçado. Uma das filhas disse que não. Então foi procurá-la pela vizinhança mas não a achou. As buscas duraram quatro dias, com a ajuda de bombeiros e policiais.
O pai, João Bernardo da Silva, 55, caminhou no meio da mata e nas margens de rios na esperança de achar alguma pista. A única coisa que encontraram foi um dos chinelos da jovem em um terreno perto da casa onde vivem. ''Sei que era dela, pois dias antes um cachorro havia mordido o chinelo e costurei com linha'', conta Milta. Um bombeiro que participou da busca disse para os pais que a menina não poderia estar morta, senão o corpo teria sido encontrado.
®MDNM¯Suspeito
Um dia antes do desaparecimento, Lucinéia foi ao aniversário de uma vizinha. A última foto da jovem foi tirada nessa ocasião. Quem registrou o momento foi um boliviano convidado da festa. Após o sumiço da garota, ele foi embora da cidade. Apontado como principal suspeito, foi localizado no interior do Estado e interrogado pela polícia. Em seguida, voltou para a Bolívia. ''Eles (polícia) deveriam ter proibido ele de sair do Brasil. Agora é que não acha mais. E se minha filha estiver em outro País? Se eu tivesse dinheiro, eles tinham ido atrás'', reclama Silva.
Segundo os familiares, há quatro meses funcionários do Sicride estiveram na casa deles para retomar as investigações do caso. Até agora, nada foi feito. ''Quando ligo pra lá, eles dizem que precisam de liberação para sair do município e voltar aqui'', revela Maicon.
Os pais de Lucinéia acreditam que agora, com a internet, está mais fácil encontrar a filha. Eles acham que hoje, com 22 anos, ela teria idade suficiente para tentar realizar a busca por iniciativa própria.

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